Assusta-me pensar nos rumos que este mundo está tomando. Em menos de 60 anos o homem de tal maneira depredou a natureza que, hoje como hoje, parece não haver retorno. Eu faço parte dessa geração que apressou o colapso da Terra. Não tive poder para impedi-lo. Falei, mas não gritei o suficiente. Eu vi a terra sendo desmatada, poluída e exaurida e não berrei a plenos pulmões. Vi gente morrer pela terra , pelo verde e pelas águas, mas eu não corri o mesmo risco na defesa da tua obra!
Desde a explosão das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, esturricamos o solo do planeta, queimamos as florestas, enchemos a Terra de gás carbônico, e parece que as grandes indústrias não têm intenção de parar com a sua destruição sistemática dos recursos naturais, porque precisam do lucro, como um bêbado precisa de sua garrafa: não sabem parar e não admitem lucrar menos. É a embriaguez do lucro astronômico e urgente.
A Terra foi exaurida e começa a reagir como um ser em agonia. Terremotos, enchentes, tsunamis se sucedem com maior rapidez. Diferente dos pregadores religiosos que dizem que isto é castigo Teu, eu acho que é muito mais tolice nossa. Nós causamos isso!
Pequenas formigas, pequenos cupins podem prejudicar toda uma fazenda, mas nem por isso podemos culpar o fazendeiro por não tê-los destruído. Terias que destruir o ser humano para que ele não destruísse a Terra. Tens avisado, mas as pessoas não te ouvem e muitos nem sequer acreditam que Tu existes. O que acontece é resultado da ganância que é uma forma de fanatismo religioso e de ateísmo. Alguém acha que tem esse direito. Sente-se mais filho do que os outros, ou, não crendo que existas, corre mais depressa para apossar-se do que não lhe pertence.
Religiosos que dizem crer em Ti agem como se Tu não existisses. De manhã lêem a sua Bíblia e se benzem e de tarde vão destruir o teu planeta. Alguns até te invocam para poderem destruí-lo mais depressa. Acham-se no direito de ferir a tua Terra, que demorou milhões de anos para ser como é. Mas como precisam ficar ricos depressa, não hesitam em causar aquelas explosões e manejar aquelas serras, cada dia mais devastadoras. Consideram-se criadores, mas são dês-criadores. Tu fizeste em séculos e decênios e eles desfazem em poucos minutos.
Tenho medo desse tipo de ser humano, Senhor. Não sei conviver com ele. Também não sei mais o que dizer. Então eu oro. Toca-os para que parem em tempo de salvarmos o que restou do planeta! Isto, sim, é o que se pode chamar de macro-egoismo! Livra-nos dele, Senhor. Que não triunfem o capital furioso e o lucro desmedido!
Pe. Zezinho scj
18 de junho de 2008
À sua imagem e semelhança...
Pássaros são semelhantes a outros pássaros. Cães são semelhantes a determinados animais. Mas cães não são semelhantes à pássaros. Montanhas são semelhantes entre si, oceanos são semelhantes, mas a montanha não se assemelha ao mar. O mar não lembra montanhas nem aves lembram cães.
É característica dos semelhantes que um lembre do outro. Há coisas em comum que os fazem não iguais, nem parecidos, mas criaturas que se lembram. O dicionário Aurélio define a palavra semelhança: Relação entre seres, coisas ou idéias que apresentam entre si elementos conformes, além daqueles comuns à espécie.
Vale dizer: semelhante não é igual. Nem necessariamente parecido. É alguém que lembra alguém ou algo que lembra algo porque têm características em comum.
Nesse sentido é que a Bíblia afirma que o Homem é feito à imagem e semelhança de Deus (Gen. 1,26-27) e a teologia católica afirma que somos semelhantes a Deus. Em nenhum momento a Igreja quer dizer que Deus se parece conosco. Nem pode afirmar que Deus se assemelha a nós. Ele não pode ser comparado a nada e a ninguém. Quem se assemelha somos nós que precisamos ser comparados. Se alguém tem algo que lembra alguém, este alguém somos nós que temos valores que lembram o Criador. Já, Deus existiu antes de qualquer criatura e poderia continuar existindo e feliz sendo Ele mesmo, sem nós.
É preciso uma certa dose de humildade para entender o que isso quer dizer: O ser humano lembra a existência de Deus. A idéia de ser humano pode levar à idéia de Deus.
É o que diz o Catecismo Católico quando afirma no número 32 que a pessoa humana é uma das vias de acesso ao conhecimento de Deus.
Deus não se parece conosco, mas o ser humano tem algumas qualidades que apontam para Ele, o OUTRO, o grande ser, Aquele que é quem é. Somos semelhantes, mas estamos longe de ser COMO DEUS. Uma alegoria Bíblica (Ap. 12,9; Mt. 25,41) diz que a revolta dos anjos teve esse teor: Lúcifer, que significa porta-luz, quis ser COMO DEUS. Miguel (que quer dizer: quem é como Deus?), expulsou Lúcifer e seus anjos revoltos do paraíso. Por não aceitar apenas uma leve semelhança e querer mais do que isso, Lúcifer (o porta-luz, o anjo das trevas), tornou-se Satanás (o inimigo, o tentador). É apenas uma alegoria. Mas ensina o suficiente sobre nosso lugar de criaturas humanas. Podemos apontar para Deus, mas nunca seremos pequenos deuses, nem pedaços de Deus. Somos humanos. Há uma distância infinita entre Ele e nós. Deus só está perto porque quis estar perto e ser Emanuel, Deus no meio de nós.
Pe. Zezinho scj
É característica dos semelhantes que um lembre do outro. Há coisas em comum que os fazem não iguais, nem parecidos, mas criaturas que se lembram. O dicionário Aurélio define a palavra semelhança: Relação entre seres, coisas ou idéias que apresentam entre si elementos conformes, além daqueles comuns à espécie.
Vale dizer: semelhante não é igual. Nem necessariamente parecido. É alguém que lembra alguém ou algo que lembra algo porque têm características em comum.
Nesse sentido é que a Bíblia afirma que o Homem é feito à imagem e semelhança de Deus (Gen. 1,26-27) e a teologia católica afirma que somos semelhantes a Deus. Em nenhum momento a Igreja quer dizer que Deus se parece conosco. Nem pode afirmar que Deus se assemelha a nós. Ele não pode ser comparado a nada e a ninguém. Quem se assemelha somos nós que precisamos ser comparados. Se alguém tem algo que lembra alguém, este alguém somos nós que temos valores que lembram o Criador. Já, Deus existiu antes de qualquer criatura e poderia continuar existindo e feliz sendo Ele mesmo, sem nós.
É preciso uma certa dose de humildade para entender o que isso quer dizer: O ser humano lembra a existência de Deus. A idéia de ser humano pode levar à idéia de Deus.
É o que diz o Catecismo Católico quando afirma no número 32 que a pessoa humana é uma das vias de acesso ao conhecimento de Deus.
Deus não se parece conosco, mas o ser humano tem algumas qualidades que apontam para Ele, o OUTRO, o grande ser, Aquele que é quem é. Somos semelhantes, mas estamos longe de ser COMO DEUS. Uma alegoria Bíblica (Ap. 12,9; Mt. 25,41) diz que a revolta dos anjos teve esse teor: Lúcifer, que significa porta-luz, quis ser COMO DEUS. Miguel (que quer dizer: quem é como Deus?), expulsou Lúcifer e seus anjos revoltos do paraíso. Por não aceitar apenas uma leve semelhança e querer mais do que isso, Lúcifer (o porta-luz, o anjo das trevas), tornou-se Satanás (o inimigo, o tentador). É apenas uma alegoria. Mas ensina o suficiente sobre nosso lugar de criaturas humanas. Podemos apontar para Deus, mas nunca seremos pequenos deuses, nem pedaços de Deus. Somos humanos. Há uma distância infinita entre Ele e nós. Deus só está perto porque quis estar perto e ser Emanuel, Deus no meio de nós.
Pe. Zezinho scj
8 de junho de 2008
7 de junho de 2008
Três tipos de católicos
Intelectualmente há três tipos de católicos. Os que gostam de teologia e mergulham fundo na busca de maior conhecimento de Deus e do ser humano; os que gostam de teologia, lêem muito e querem saber o que os teólogos e estudiosos andam dizendo sobre Deus e o ser humano; e os que não estudam, não se importam e não sentem necessidade alguma de teologia. Sentem Deus, querem sentir mais, e chegam a dizer que isto lhes basta.
Você verá os estudiosos debruçados sobre os livros abertos à sua frente, verá suas estantes repletas de obras profundas sobre Deus e a humanidade, a maioria delas rabiscadas ou cheias de anotações. Querem saber mais. Deus mexeu com a sua mente. Sabem quem falou, quando falou, o que disse e quais as conseqüências no seu tempo e, séculos depois, de tudo quanto ele ensinou sobre Deus.
Verá também as estantes dos que gostam de teologia, sociologia, antropologia e outras ciências, repletas de livros. Eles sabem menos do que seus irmãos doutos e cultos, mas têm razoável grau de informação, porque Deus sacudiu também a sua mente. Querem saber mais e corrigem o tempo todo os seus conceitos, à medida que aparecem novas informações. Estão dispostos a aprender com todos os ramos do catolicismo. Abriram sua mente para todas a experiências de Igreja que conhecem. Reconhecem a luz de Deus nos outros e acendem as suas velas nas luzes que Deus deu aos outros.
Verá, depois, as estantes dos que não estudam sua fé. Muitos nem estantes possuem. Na sua casa não há livros. No seu quarto talvez haja uma estante pequena e poucos livros, a maioria devocionais, na linha de espiritualidade do grupo ao qual aderiram. Não espere ver grossos compêndios de teologia, filosofia, sociologia ou antropologia na sua estante. Não se interessam, não precisam e até combatem quem dá importância a isso. E daí se sabem tudo, mas não vivem aquilo no coração? Apostam na vivência, no sentir! Alguns até são pregadores. Abrem sua Bíblia, meditam sobre um trecho e sobre ele pregam sem nunca ter estudado história, Bíblia, sociologia, e, às vezes sem nunca ter lido a Bíblia por inteiro, nem o Catecismo, nem os documentos mais recentes dos líderes da Igreja no mundo, no país e na diocese.
Observe a mídia católica e conclua. Quem está evangelizando os católicos? Na sua maioria são irmãos e irmãs que estudam, vão fundo na teologia, ou são católicos que falam a partir do que sentem e experimentam pessoalmente? Quem chega à maioria dos católicos? Os mestres do estudo ou os mestres da vivência? Observe e decida que tipo de catolicismo você pretende viver! Ele determinará os rumos da sua fé e da sua pregação.
Pe Zezinho scj
Você verá os estudiosos debruçados sobre os livros abertos à sua frente, verá suas estantes repletas de obras profundas sobre Deus e a humanidade, a maioria delas rabiscadas ou cheias de anotações. Querem saber mais. Deus mexeu com a sua mente. Sabem quem falou, quando falou, o que disse e quais as conseqüências no seu tempo e, séculos depois, de tudo quanto ele ensinou sobre Deus.
Verá também as estantes dos que gostam de teologia, sociologia, antropologia e outras ciências, repletas de livros. Eles sabem menos do que seus irmãos doutos e cultos, mas têm razoável grau de informação, porque Deus sacudiu também a sua mente. Querem saber mais e corrigem o tempo todo os seus conceitos, à medida que aparecem novas informações. Estão dispostos a aprender com todos os ramos do catolicismo. Abriram sua mente para todas a experiências de Igreja que conhecem. Reconhecem a luz de Deus nos outros e acendem as suas velas nas luzes que Deus deu aos outros.
Verá, depois, as estantes dos que não estudam sua fé. Muitos nem estantes possuem. Na sua casa não há livros. No seu quarto talvez haja uma estante pequena e poucos livros, a maioria devocionais, na linha de espiritualidade do grupo ao qual aderiram. Não espere ver grossos compêndios de teologia, filosofia, sociologia ou antropologia na sua estante. Não se interessam, não precisam e até combatem quem dá importância a isso. E daí se sabem tudo, mas não vivem aquilo no coração? Apostam na vivência, no sentir! Alguns até são pregadores. Abrem sua Bíblia, meditam sobre um trecho e sobre ele pregam sem nunca ter estudado história, Bíblia, sociologia, e, às vezes sem nunca ter lido a Bíblia por inteiro, nem o Catecismo, nem os documentos mais recentes dos líderes da Igreja no mundo, no país e na diocese.
Observe a mídia católica e conclua. Quem está evangelizando os católicos? Na sua maioria são irmãos e irmãs que estudam, vão fundo na teologia, ou são católicos que falam a partir do que sentem e experimentam pessoalmente? Quem chega à maioria dos católicos? Os mestres do estudo ou os mestres da vivência? Observe e decida que tipo de catolicismo você pretende viver! Ele determinará os rumos da sua fé e da sua pregação.
Pe Zezinho scj
Dinheiro sujo
Não é assim tão relativo quanto muita gente gostaria que fosse. Há dinheiro limpo, dinheiro sujo e dinheiro escuso. O limpo, todos sabem que se ganha com trabalho honesto e sem explorar os outros. Milhões vivem dele ou dele sobrevivem. O escuso merece investigação, porque, embora não possa ser provado sujo, limpo é que não parece. E há o dinheiro sujo que vem do roubo, da corrupção,do assalto, da droga, da morte, do preço injusto, da extorsão, da venda e aluguel de corpos e de pessoas, do produto falso e adulterado, da religião que mente e tosquia as ovelhas sob o doce argumento do dízimo, e de milhares de crimes. Estado, comércio, industria, partidos, políticos, grupos de serviço, igrejas, clubes podem muito bem conseguir dinheiro lícito, honesto e limpo; demora mais, mas é possível.
Era sobre esse dinheiro que Jesus falava, quando propunha a partilha e, na parábola dos talentos, admitia que fosse multiplicado (Mt 25,14-30). Por isso, nós católicos não somos contra o capitalismo nem contra o socialismo, quando respeitam as pessoas. Era contra o dinheiro selvagem e sem coração que Jesus se insurgia, porque amontoado por grupos de pessoas, firmas e corporações, e pelo Estado pantagruélico que, além de tirar a liberdade, come mais de sete meses do trabalho do cidadão, levando-lhe 50 a 60% do que ele produz.
No tempo de Jesus o Estado chegava cobrar 60% dos impostos. Por isso os publicanos eram tão odiados e com eles, também os homens públicos de hoje. Um Estado que não sabe viver sem juros altos está mal constituído e muito provavelmente prostituído. Todo ser humano tem o direito de possuir, desde que não possua com injustiça e não se aposse do que não lhe pertence. O Estado tem o direito de cobrar impostos, já que é raro alguém dar livremente o que tem para os governantes. Os religiosos dão 10% para os pregadores, confiantes de que sua igreja vai crescer e que eles aplicarão honestamente o que foi dado para a Igreja. Mas também ali acontece o desvio.
Com o tempo fica difícil saber se foi dízimo, ou extorsão, tal a culpa que a pessoa sente. Quando vira imposto, o dízimo não é nada santo! Vira extorsão a ritmo de oração. Uma nação tocada a dinheiro sujo parece um rio de águas desviadas. As igrejas, as escolas, as Ongs, os comunicadores e os políticos sérios, precisam urgentemente insistir na cultura do “meu”, do “nosso” e do “não meu”, segundo já insistia o filósofo Platão no seu tratado “De Republica”, quinto livro.
Como estão, o Brasil e outros paises em crise permanente, não deslancharão. São barcos amarrados ao cais pelos cabos da corrupção e do crime.
O único jeito é dar cabo desses cabos!
Pe Zezinho scj
Era sobre esse dinheiro que Jesus falava, quando propunha a partilha e, na parábola dos talentos, admitia que fosse multiplicado (Mt 25,14-30). Por isso, nós católicos não somos contra o capitalismo nem contra o socialismo, quando respeitam as pessoas. Era contra o dinheiro selvagem e sem coração que Jesus se insurgia, porque amontoado por grupos de pessoas, firmas e corporações, e pelo Estado pantagruélico que, além de tirar a liberdade, come mais de sete meses do trabalho do cidadão, levando-lhe 50 a 60% do que ele produz.
No tempo de Jesus o Estado chegava cobrar 60% dos impostos. Por isso os publicanos eram tão odiados e com eles, também os homens públicos de hoje. Um Estado que não sabe viver sem juros altos está mal constituído e muito provavelmente prostituído. Todo ser humano tem o direito de possuir, desde que não possua com injustiça e não se aposse do que não lhe pertence. O Estado tem o direito de cobrar impostos, já que é raro alguém dar livremente o que tem para os governantes. Os religiosos dão 10% para os pregadores, confiantes de que sua igreja vai crescer e que eles aplicarão honestamente o que foi dado para a Igreja. Mas também ali acontece o desvio.
Com o tempo fica difícil saber se foi dízimo, ou extorsão, tal a culpa que a pessoa sente. Quando vira imposto, o dízimo não é nada santo! Vira extorsão a ritmo de oração. Uma nação tocada a dinheiro sujo parece um rio de águas desviadas. As igrejas, as escolas, as Ongs, os comunicadores e os políticos sérios, precisam urgentemente insistir na cultura do “meu”, do “nosso” e do “não meu”, segundo já insistia o filósofo Platão no seu tratado “De Republica”, quinto livro.
Como estão, o Brasil e outros paises em crise permanente, não deslancharão. São barcos amarrados ao cais pelos cabos da corrupção e do crime.
O único jeito é dar cabo desses cabos!
Pe Zezinho scj
28 de maio de 2008
Pró e contra o embrião humano
Quando o noticiário das 8h mostrou duzentas pessoas se abraçando em defesa dos enfermos com doenças degenerativas, mas não mostrou 10 mil da semana anterior orando e discursando em defesa do embrião; quando mostrou o doente na cadeira de rodas pedindo a liberação do uso das células tronco de embriões, mas não mostrou o embrião sacrificado; quando outra vez mostrou as lágrimas de uma senhora que pedia em nome do seu filho enfermo o direito á pesquisa na qual o embrião humano morre, e, a seguir, apenas falou dos bispos reunidos que condenam tais experiências, mas não entrevistou nenhum deles, aquela mídia prestou um desserviço: salientou a dor de quem quer a busca de uma solução para os seus enfermos, mas não mostrou a palavra de quem também quer a busca de uma solução para os enfermos, mas não à custa da morte de um embrião humano.
Quem editou a reportagem deixou claro de que lado estava: não foi imparcial. Assim, os que buscam um caminho de solução para os seus enfermos, ainda que causando a morte de embriões, parecem vítimas inocentes, enquanto os que também querem soluções, mas não com a morte de embriões humanos parecem algozes, insensíveis e maus. Falam de nós como se também não tivéssemos enfermos em algumas de nossas casas.
Eles são as vítimas porque procuram ajudar algum doente adulto, mas admitindo a morte de uma vida humana menor do que uma unha, enquanto nós parecemos carrascos porque propomos outras maneiras de pesquisar com células-tronco, sem eliminar uma vida. Somos apontados como cruéis porque defendemos a vida do pequeníssimo ser humano já concebido.
Apontam-nos como culpados por defender uma vida menor do que uma cabeça de alfinete ou uma unha, mas vida humana; culpados por querer outra solução na utilização das células-tronco, solução que já se vai descobrindo, culpados por não ceder na defesa da vida humana já concebida e do óvulo humano já fertilizado. Culpam-nos por imaginar este ser crescido e adulto a agradecer os juizes, os congressistas, os médicos, os pais e os religiosos que lutaram por ele, quando ele era apenas um ser nos primeiros dias de formação, mas alguns já queriam sua morte para que outros vivessem.
Culpem todos religiosos de todas as igrejas que acreditam na alma, no embrião, no feto e no futuro. É isso o que supostamente uma religião deve fazer. Nós não culpamos quem quer uma solução rápida para os seus enfermos, mas achamos que não se pode seguir pelo caminho da morte do embrião. Se o enfermo tem o direito às pesquisas, o embrião humano tem o direito à vida e ao futuro.
Quanto ao embrião que não teria futuro, porque foi congelado, eles querem livre acesso a ele. E nós dizemos que se o querem é porque tem vida. Se ele tem que morrer, então somos contra. Então nos brindam com adjetivos nada agradáveis. Nós que também temos enfermos, eu que tive pai e parentes com doença degenerativa, talvez não mereçamos tais adjetivos.
Se eles são apenas seres humanos cheios de compaixão, que desejam vida melhor para os seus enfermos, nós também temos compaixão dos enfermos deles e dos nossos, porque também temos hospitais e somos milhares que vão lá minorar as dores alheias. Acontece que a nossa compaixão também se estende ao embrião que ainda não fala, mas pode falar daqui a dois anos!
Aplica-se a compaixão para com quem não anda ou não viveria muito tempo sem as pesquisas e as possíveis soluções do uso do embrião, e não se mostra nenhuma compaixão para com o embrião que pode ser alguém como nós? Falam do embrião marginal, o que nunca será um ser humano porque os pais não o querem e seu óvulo fertilizado que virou embrião está guardado numa clínica. Querem o direito de usá-lo. Seguindo a lógica, o que farão com os anciãos de asilos nos últimos dias de vida e com os pobres que dormem debaixo de viadutos? Parece que também ninguém os quer... Não quererão também usá-los para pesquisa, já que foram abandonados ali? Estamos falando de cura ou de eugenia? O ser humano tido como inferior deve ajudar o ser humano superior ferido? É assim que se faz uma sociedade sadia? São perguntas incômodas nascidas da guerra pró e contra o uso do embrião humano! Mas precisam ser feitas!
Pe Zezinho scj
Quem editou a reportagem deixou claro de que lado estava: não foi imparcial. Assim, os que buscam um caminho de solução para os seus enfermos, ainda que causando a morte de embriões, parecem vítimas inocentes, enquanto os que também querem soluções, mas não com a morte de embriões humanos parecem algozes, insensíveis e maus. Falam de nós como se também não tivéssemos enfermos em algumas de nossas casas.
Eles são as vítimas porque procuram ajudar algum doente adulto, mas admitindo a morte de uma vida humana menor do que uma unha, enquanto nós parecemos carrascos porque propomos outras maneiras de pesquisar com células-tronco, sem eliminar uma vida. Somos apontados como cruéis porque defendemos a vida do pequeníssimo ser humano já concebido.
Apontam-nos como culpados por defender uma vida menor do que uma cabeça de alfinete ou uma unha, mas vida humana; culpados por querer outra solução na utilização das células-tronco, solução que já se vai descobrindo, culpados por não ceder na defesa da vida humana já concebida e do óvulo humano já fertilizado. Culpam-nos por imaginar este ser crescido e adulto a agradecer os juizes, os congressistas, os médicos, os pais e os religiosos que lutaram por ele, quando ele era apenas um ser nos primeiros dias de formação, mas alguns já queriam sua morte para que outros vivessem.
Culpem todos religiosos de todas as igrejas que acreditam na alma, no embrião, no feto e no futuro. É isso o que supostamente uma religião deve fazer. Nós não culpamos quem quer uma solução rápida para os seus enfermos, mas achamos que não se pode seguir pelo caminho da morte do embrião. Se o enfermo tem o direito às pesquisas, o embrião humano tem o direito à vida e ao futuro.
Quanto ao embrião que não teria futuro, porque foi congelado, eles querem livre acesso a ele. E nós dizemos que se o querem é porque tem vida. Se ele tem que morrer, então somos contra. Então nos brindam com adjetivos nada agradáveis. Nós que também temos enfermos, eu que tive pai e parentes com doença degenerativa, talvez não mereçamos tais adjetivos.
Se eles são apenas seres humanos cheios de compaixão, que desejam vida melhor para os seus enfermos, nós também temos compaixão dos enfermos deles e dos nossos, porque também temos hospitais e somos milhares que vão lá minorar as dores alheias. Acontece que a nossa compaixão também se estende ao embrião que ainda não fala, mas pode falar daqui a dois anos!
Aplica-se a compaixão para com quem não anda ou não viveria muito tempo sem as pesquisas e as possíveis soluções do uso do embrião, e não se mostra nenhuma compaixão para com o embrião que pode ser alguém como nós? Falam do embrião marginal, o que nunca será um ser humano porque os pais não o querem e seu óvulo fertilizado que virou embrião está guardado numa clínica. Querem o direito de usá-lo. Seguindo a lógica, o que farão com os anciãos de asilos nos últimos dias de vida e com os pobres que dormem debaixo de viadutos? Parece que também ninguém os quer... Não quererão também usá-los para pesquisa, já que foram abandonados ali? Estamos falando de cura ou de eugenia? O ser humano tido como inferior deve ajudar o ser humano superior ferido? É assim que se faz uma sociedade sadia? São perguntas incômodas nascidas da guerra pró e contra o uso do embrião humano! Mas precisam ser feitas!
Pe Zezinho scj
18 de maio de 2008
Aos que mudaram de Igreja
Não faz muito tempo, pus-me a pensar nos meus irmãos que foram embora do catolicismo. São milhões. Pensei também nos que vieram embora do protestantismo e do pentecostalismo. Não são milhões, mas é um número significativo.
O que os levou para lá? O que os trouxe para cá, se todos dizem que se trata do mesmo Deus, do mesmo Pai e do mesmo salvador Jesus Cristo? Eu diria, entre mais de vinte razões que conheço, que sentir-se alguém lá ou aqui, a noção de permitido e proibido o ângulo de visão e o enfoque respondem pela maioria das opções de ir ou de vir.
Perderíamos a perspectiva e estaríamos sujeitos a sermos julgados por Jesus na mesma medida (Mt 7,1) se nos puséssemos a julgar estes irmãos e estas irmãs que por razões que só elas sabem quais foram, não quiseram mais adorar, cultuar, pensar, cantar, orar e caminhar conosco nos nossos templos. Nossos irmãos evangélicos e pentecostais correriam o mesmo risco, se começassem a julgar os que não quiseram mais caminhar com eles nem pensar ou orar como eles fazem e vieram para o catolicismo.
Pedro, André, Tiago, João, Bartolomeu e os outros e, mais tarde, Paulo continuaram judeus e amando o seu povo, mas decidiram crer que Jesus era o Messias prometido. Apostaram sua vida nessa direção e morreram por esta verdade.
No caso de quem foi para outra igreja ou veio para a nossa, mais do que as doutrinas ou dogmas que sustentam vai valer o modo com tratam os outros. Seremos julgados não pelo nosso modo bonito de dizer “Senhor, Senhor”, de fechar os olhos e entrar em êxtase, e sim, pelo modo bonito de querer bem as pessoas, mesmo aquelas que não comungam mais das nossas preces ou idéias.
São milhões os que nesses últimos 40 anos mudaram de religião, ou, dentro da religião cristã, mudaram de igreja e de enfoque. Eles agora crêem de um jeito que ontem não sabiam nem admitiam. Uns deixaram para trás muitas crenças de ontem. Outros assumiram ou reassumiram, numa dimensão mais adulta, as crenças que há quinze anos tinham abandonado.
“Criação, evolução, povo de Deus, anjos, visões, revelações, aparições de anjos ou de santos, julgamento final, volta de Cristo, reencarnação, céu, inferno, purgatório, intercessão, último dia, ressurreição da carne, perdão dos pecados, ação do Espírito Santo, dom de línguas, eucaristia, santos, imagens, o papel de Maria, predestinação, eleição, perdão de pecados, penitência, culpa e reconciliação”... e dezenas ou centenas de outras afirmações e doutrinas hoje dividem muitos cristãos. Um crê nisso e outro naquilo, um de um jeito e outro de outro. E todos acham alguma passagem bíblica para garantir que o seu grupo religioso está mais certo do que o outro.
Há os mais agressivos: ofendem, brigam, chutam símbolos, queimam livros e atacam. Entendem-se tão certos que arriscam ser condenados por Deus, ao julgar o irmão de outra fé e até mesmo afirmar que os de outra religião têm o demônio na mente ou estão nas trevas. Julgam, sabendo que Jesus disse que seriam julgados pelo que falassem contra seus irmãos. Mas arriscam. ( Mt 7,1-3)
Há os gentis que discordam, mas respeitam. Olham o céu, a terra, o perdão, a graça e a vida com outras lentes e de outro ângulo, mas respeitam o jeito e a visão dos outros. Não acham que suas igrejas são melhores só porque estão cheias de novos adeptos. Ficam felizes, mas não chegam ao extremo de achar que números fazem uma igreja mais santa que a outra. Neste caso, teriam que dizer que a Igreja Católica no Brasil é mais santa do que a deles porque, bem ou mal, ainda somos 74% dos brasileiros. O número e o crescimento não fazem uma igreja boa. É o modo como seus fiéis vivem e respeitam os outros que dá uma idéia do valor essas pregações e das suas preces.
Ligo a televisão e o radio, ouço as canções e o discurso dos católicos, cada qual com os seus enfoques, dos evangélicos das mais diversas procedências, dos pentecostais, do neo- pentecostais, também eles com os seus mais diversos enfoques e suas ênfases e vejo como as igrejas estão marcadas pelos seus pregadores. Sempre estiveram. Montano Donato, Ário, Eutíquio, Atanásio, Crisóstomo, Agostinho, Nestório e mais tarde Wycliffe, Calvino, Huss, Lutero eram pregadores fortes que arrastaram milhões de fiéis para o seu lado da fé. Seus fiéis pensaram não necessariamente como Cristo pensava, mas como os pregadores diziam que Cristo pensava.
As coisas não mudaram muito. A maioria dos convertidos para uma igreja ainda se convertem primeiro para os argumentos do pregador e só depois para o Cristo que o pregador anunciou. Mas acabam pensando do jeito que o pregador pensa. Ou trocam a palavra do padre pela do pastor ou a do pastor pela do padre. Muitos nem sequer lêem mais nada. Dependem do que seu pregador predileto diz na pregação de quarta feira ou de domingo.
Relevância é um ponto fundamental na mudança de religião. Sentir-se chamado, escolhido e eleito para conhecer novos mistérios ou a verdade de um jeito melhor e mais verdadeiro é o que leva alguém para outra religião. Quem fez a mudança deve ser respeitado, quer vá para lá, quer venha para cá. A agressão e as ameaças não funcionam. Vale a graça. E esta é Deus quem dá, por mais que o pregador se ache no direito de decidir quem a tem e quem não a possui.
Feitas as contas, os caridosos definem uma igreja. Quem, depois da sua conversão, não sabe conviver com quem crê ou pensa diferente dele, na verdade não se converteu: apenas mudou de tribuna para pregar os seus preconceitos. Deixou de pecar num templo e foi pecar no outro. Não conseguiu ser santo aqui e não está conseguindo ser santo lá. Não entendeu que converter-se é mais do que mudar de igreja: é mudar de vida.
É bem isso o que ainda não aconteceu com muitos convertidos. Eram bem menos prevalecidos e agressores, quando estavam do lado de cá. Agora que dizem ter Jesus, acham-se no direito de ofender com palavras e atitudes até cruéis os que ficaram na sua antiga igreja. Entregar-se a Jesus é mais do que isso que eles andam fazendo. Já ouviu alguns programas de radio na madrugada?
O que os levou para lá? O que os trouxe para cá, se todos dizem que se trata do mesmo Deus, do mesmo Pai e do mesmo salvador Jesus Cristo? Eu diria, entre mais de vinte razões que conheço, que sentir-se alguém lá ou aqui, a noção de permitido e proibido o ângulo de visão e o enfoque respondem pela maioria das opções de ir ou de vir.
Perderíamos a perspectiva e estaríamos sujeitos a sermos julgados por Jesus na mesma medida (Mt 7,1) se nos puséssemos a julgar estes irmãos e estas irmãs que por razões que só elas sabem quais foram, não quiseram mais adorar, cultuar, pensar, cantar, orar e caminhar conosco nos nossos templos. Nossos irmãos evangélicos e pentecostais correriam o mesmo risco, se começassem a julgar os que não quiseram mais caminhar com eles nem pensar ou orar como eles fazem e vieram para o catolicismo.
Pedro, André, Tiago, João, Bartolomeu e os outros e, mais tarde, Paulo continuaram judeus e amando o seu povo, mas decidiram crer que Jesus era o Messias prometido. Apostaram sua vida nessa direção e morreram por esta verdade.
No caso de quem foi para outra igreja ou veio para a nossa, mais do que as doutrinas ou dogmas que sustentam vai valer o modo com tratam os outros. Seremos julgados não pelo nosso modo bonito de dizer “Senhor, Senhor”, de fechar os olhos e entrar em êxtase, e sim, pelo modo bonito de querer bem as pessoas, mesmo aquelas que não comungam mais das nossas preces ou idéias.
São milhões os que nesses últimos 40 anos mudaram de religião, ou, dentro da religião cristã, mudaram de igreja e de enfoque. Eles agora crêem de um jeito que ontem não sabiam nem admitiam. Uns deixaram para trás muitas crenças de ontem. Outros assumiram ou reassumiram, numa dimensão mais adulta, as crenças que há quinze anos tinham abandonado.
“Criação, evolução, povo de Deus, anjos, visões, revelações, aparições de anjos ou de santos, julgamento final, volta de Cristo, reencarnação, céu, inferno, purgatório, intercessão, último dia, ressurreição da carne, perdão dos pecados, ação do Espírito Santo, dom de línguas, eucaristia, santos, imagens, o papel de Maria, predestinação, eleição, perdão de pecados, penitência, culpa e reconciliação”... e dezenas ou centenas de outras afirmações e doutrinas hoje dividem muitos cristãos. Um crê nisso e outro naquilo, um de um jeito e outro de outro. E todos acham alguma passagem bíblica para garantir que o seu grupo religioso está mais certo do que o outro.
Há os mais agressivos: ofendem, brigam, chutam símbolos, queimam livros e atacam. Entendem-se tão certos que arriscam ser condenados por Deus, ao julgar o irmão de outra fé e até mesmo afirmar que os de outra religião têm o demônio na mente ou estão nas trevas. Julgam, sabendo que Jesus disse que seriam julgados pelo que falassem contra seus irmãos. Mas arriscam. ( Mt 7,1-3)
Há os gentis que discordam, mas respeitam. Olham o céu, a terra, o perdão, a graça e a vida com outras lentes e de outro ângulo, mas respeitam o jeito e a visão dos outros. Não acham que suas igrejas são melhores só porque estão cheias de novos adeptos. Ficam felizes, mas não chegam ao extremo de achar que números fazem uma igreja mais santa que a outra. Neste caso, teriam que dizer que a Igreja Católica no Brasil é mais santa do que a deles porque, bem ou mal, ainda somos 74% dos brasileiros. O número e o crescimento não fazem uma igreja boa. É o modo como seus fiéis vivem e respeitam os outros que dá uma idéia do valor essas pregações e das suas preces.
Ligo a televisão e o radio, ouço as canções e o discurso dos católicos, cada qual com os seus enfoques, dos evangélicos das mais diversas procedências, dos pentecostais, do neo- pentecostais, também eles com os seus mais diversos enfoques e suas ênfases e vejo como as igrejas estão marcadas pelos seus pregadores. Sempre estiveram. Montano Donato, Ário, Eutíquio, Atanásio, Crisóstomo, Agostinho, Nestório e mais tarde Wycliffe, Calvino, Huss, Lutero eram pregadores fortes que arrastaram milhões de fiéis para o seu lado da fé. Seus fiéis pensaram não necessariamente como Cristo pensava, mas como os pregadores diziam que Cristo pensava.
As coisas não mudaram muito. A maioria dos convertidos para uma igreja ainda se convertem primeiro para os argumentos do pregador e só depois para o Cristo que o pregador anunciou. Mas acabam pensando do jeito que o pregador pensa. Ou trocam a palavra do padre pela do pastor ou a do pastor pela do padre. Muitos nem sequer lêem mais nada. Dependem do que seu pregador predileto diz na pregação de quarta feira ou de domingo.
Relevância é um ponto fundamental na mudança de religião. Sentir-se chamado, escolhido e eleito para conhecer novos mistérios ou a verdade de um jeito melhor e mais verdadeiro é o que leva alguém para outra religião. Quem fez a mudança deve ser respeitado, quer vá para lá, quer venha para cá. A agressão e as ameaças não funcionam. Vale a graça. E esta é Deus quem dá, por mais que o pregador se ache no direito de decidir quem a tem e quem não a possui.
Feitas as contas, os caridosos definem uma igreja. Quem, depois da sua conversão, não sabe conviver com quem crê ou pensa diferente dele, na verdade não se converteu: apenas mudou de tribuna para pregar os seus preconceitos. Deixou de pecar num templo e foi pecar no outro. Não conseguiu ser santo aqui e não está conseguindo ser santo lá. Não entendeu que converter-se é mais do que mudar de igreja: é mudar de vida.
É bem isso o que ainda não aconteceu com muitos convertidos. Eram bem menos prevalecidos e agressores, quando estavam do lado de cá. Agora que dizem ter Jesus, acham-se no direito de ofender com palavras e atitudes até cruéis os que ficaram na sua antiga igreja. Entregar-se a Jesus é mais do que isso que eles andam fazendo. Já ouviu alguns programas de radio na madrugada?
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