Não é assim que se chama o tempo do advento, mas ele na verdade é uma quaresma. Dura cerca de quarenta dias e tem a finalidade de ensinar a virtude da esperança. Se a quaresma da paixão lembra com esperança o Cristo que morreu por nós, a do advento lembra o que Cristo que virá. Nestes aproximadamente quarenta dias de advento, a Igreja celebra um longo período de espera pelo Messias que vai nascer.
Da mesma forma que na quaresma da dor a Igreja fez um longo período de espera pelo Messias que sofreu, morreu e ressuscitou, os quarenta dias do advento têm a ver com vitória sobre a opressão e com o encontro do nosso destino, e da nossa liberdade de filhos de Deus. São dias de esperança. Ele virá!
Advenire significa chegar. Advento é a espera da chegada daquele que vai nascer. Por isso, durante cerca de quarenta dias, a Igreja se prepara em oração para a festa do nascimento de Jesus. Mais tarde, alguns meses depois, a sua liturgia vai fazer quarenta dias de preparação, para o Cristo que vai sofrer, morrer e vai ressuscitar. São dois tipos de nascimentos: um para a vida, outro a vida eterna e para a vitória sobre a dor e sobre a morte.
A Igreja usa a cor roxa no advento e na quaresma exatamente para significar que não são períodos de festas intensas e sim de concentração, na esperança de vitória. É um exercício de ascese sobre a dor e a decepção humana, sobre a depressão, sobre o pecado e sobre o sofrimento. Tudo tem resposta, Jesus vai nascer. Tudo tem resposta, Jesus vai morrer, mas vai ressuscitar. E nós, relembrando isso dizemos a nós mesmos: por pior que esteja a situação, vai haver um Natal em algum lugar. Vai haver uma ressurreição de algum modo. Somos otimistas por questão de fé. Por isso festejamos o Natal e também a ressurreição.
Para nós a sexta-feira santa é uma passagem, mas não é o essencial da fé cristã. Essencial, é que o crucificado e sepultado ressuscitou. Outra vez São Paulo nos diz: “Se não acreditássemos que Ele ressuscitou, estaríamos tendo uma fé vazia e seríamos os mais dignos de lástima entre todos os mortais, porque estaríamos acreditando numa lorota”.(1 Co 15,12-19).
Pe. Zezinho scj
25 de fevereiro de 2008
25 de janeiro de 2008
Atribuir a Deus...
Declarando-se fervoroso evangélico, em nome da igreja para a qual se convertera, o ator famoso e querido atribuía a Deus a sua cura de um grave problema cardíaco. Mas morreu aos 45 anos, de pneumonia. Deus lhe concedera mais alguns anos de vida.
Declarando-se fervorosa católica, fé que voltou a praticar quando soube da sua leucemia, a prefeita viveu mais três anos proclamando que Deus a curara e morreu da leucemia que voltara. Deus lhe concedera mais três anos de vida.
Proclamando-se sem fé, o jubilado escritor declarou-se curado de câncer e voltou à sua atividade de sempre, cheio de otimismo e agradecido à vida que, segundo ele, no seu caso, fora mais forte. Morreu um ano e onze meses depois do câncer que voltara. O Deus em quem ele não acreditava lhe dera mais dois anos de vida.
Proclamando sua fé em Deus a israelita, mãe de três filhos, um deles com Síndrome de Down, curou-se de maneira miraculosa de um câncer no fígado e viveu quase vinte anos sem nenhum retorno da enfermidade. Foi grata a Deus que a deixou viver até os setenta anos para deixar os filhos com alguma segurança de futuro.
Qual a diferença entre os quatro? Só Deus sabe.
Expressaram suas convicções e delas viveram. “Foi Deus, não foi Deus, talvez tenha sido. Foi milagre de Deus, foi chance embutida na vida” ... A Igreja Católica ensina que, sim, Deus intervém, mas a intervenção, a mudança de curso ou de rumo vem dele. Da nossa parte cabe corresponder. Um milagre não deixa de ser milagre porque duvidamos que seja, nem um fato se torna milagre porque dizemos que é. Uma semana de vida a mais pode ser um milagre, mesmo que não o peçamos. E não se mede um milagre pelo pronto atendimento de Deus ou pelo prazo de validade.
Há curas que duram mais tempo e há outras que significam mais uma chance de a pessoa crescer e realizar a sua missão. Só Deus sabe se foi milagre. Mas a nós cabe o direito e até o dever de expressar a nossa convicção de seres humanos que somos.
Proclamemos a nossa fé no Deus que cura os religiosos de todas as igrejas e também os ateus, cura quem o invoca e quem não o invoca, quem agradece e quem não reconhece. Seu amor já é um milagre, eterno porque terno! Não há milagre mais bonito do que o da paz e da ternura num coração agradecido pelo dom da vida!
Pe Zezinho scj
Declarando-se fervorosa católica, fé que voltou a praticar quando soube da sua leucemia, a prefeita viveu mais três anos proclamando que Deus a curara e morreu da leucemia que voltara. Deus lhe concedera mais três anos de vida.
Proclamando-se sem fé, o jubilado escritor declarou-se curado de câncer e voltou à sua atividade de sempre, cheio de otimismo e agradecido à vida que, segundo ele, no seu caso, fora mais forte. Morreu um ano e onze meses depois do câncer que voltara. O Deus em quem ele não acreditava lhe dera mais dois anos de vida.
Proclamando sua fé em Deus a israelita, mãe de três filhos, um deles com Síndrome de Down, curou-se de maneira miraculosa de um câncer no fígado e viveu quase vinte anos sem nenhum retorno da enfermidade. Foi grata a Deus que a deixou viver até os setenta anos para deixar os filhos com alguma segurança de futuro.
Qual a diferença entre os quatro? Só Deus sabe.
Expressaram suas convicções e delas viveram. “Foi Deus, não foi Deus, talvez tenha sido. Foi milagre de Deus, foi chance embutida na vida” ... A Igreja Católica ensina que, sim, Deus intervém, mas a intervenção, a mudança de curso ou de rumo vem dele. Da nossa parte cabe corresponder. Um milagre não deixa de ser milagre porque duvidamos que seja, nem um fato se torna milagre porque dizemos que é. Uma semana de vida a mais pode ser um milagre, mesmo que não o peçamos. E não se mede um milagre pelo pronto atendimento de Deus ou pelo prazo de validade.
Há curas que duram mais tempo e há outras que significam mais uma chance de a pessoa crescer e realizar a sua missão. Só Deus sabe se foi milagre. Mas a nós cabe o direito e até o dever de expressar a nossa convicção de seres humanos que somos.
Proclamemos a nossa fé no Deus que cura os religiosos de todas as igrejas e também os ateus, cura quem o invoca e quem não o invoca, quem agradece e quem não reconhece. Seu amor já é um milagre, eterno porque terno! Não há milagre mais bonito do que o da paz e da ternura num coração agradecido pelo dom da vida!
Pe Zezinho scj
1 de dezembro de 2007
O risco de desagradar
Há pessoas incapazes de desagradar a quem quer que seja. Por mais que pareça virtude, nem sempre o é. Concordar com um traficante ou com um frio assassino que o que ele faz é bom para a sociedade pode nos manter com vida e até agradar o bandido, mas não é cristão. Jesus deixa isso claro quando propõe aos discípulos que a fala deles na hora do sim seja sim e na hora do não seja não. E insiste que o que não for verdadeiro será do maligno. Quem aplaude um crime para agradar o assassino trai o dono da vida que ele tirou.
Por isso, a Igreja não pode ter medo de desagradar. Se tem que defender o feto ou alguém incapaz de se cuidar, ela o fará, a menos que pretenda trair o evangelho. O pregador que teme perder ouvintes, ou o cantor religioso que tem medo de ouvir vaias ou de ver alguns dos presentes irem embora por algum canto mais político ou mais questionador; por falar contra o aborto e alertar contra a mentalidade fácil pró-divórcio em certa mídia; se tiver medo de denunciar injustiças, terá aplausos, mas não estará pregando evangelho. Será passador de pomada ou distribuidor de sobremesa, mas não de alimento espiritual.
Pregador religioso deve ser gentil e delicado ao falar, mas se tiver que dar uma de Cristo, João Batista e João Crisóstomo diante de flagrantes injustiças, não terá escolha. Aconteceu com muitos papas, inúmeros bispos aqui no Brasil, e vai acontecer sempre, quando o tema é vida e alguém quer uma lei que permita extingui-la antes que passe da 7ª ou 14ª semana de gestação. Se o pregador se calar, por achar o assunto inoportuno naquele banquete, pecará por omissão. Se estavam levantando fundos para uma creche ou para um pronto –socorro infantil, aquela era, sim, uma hora excelente para falar, diante de deputados e chefes de partido, por cujas mãos acabam passando leis que permitem o aborto.
Pedir o direito de subir a um púlpito e ali falar apenas o que agrada é o mesmo que celebrar uma missa e mudar o evangelho daquele domingo, porque o prefeito poderia não gostar do assunto. Pensam que estou inventando? Aconteceu e quem me contou foi o bispo da região, decepcionado com o partidarismo do seu pároco, capaz de contrariar a Igreja, mas não o Partido do seu coração...
Pe Zezinho scj
Por isso, a Igreja não pode ter medo de desagradar. Se tem que defender o feto ou alguém incapaz de se cuidar, ela o fará, a menos que pretenda trair o evangelho. O pregador que teme perder ouvintes, ou o cantor religioso que tem medo de ouvir vaias ou de ver alguns dos presentes irem embora por algum canto mais político ou mais questionador; por falar contra o aborto e alertar contra a mentalidade fácil pró-divórcio em certa mídia; se tiver medo de denunciar injustiças, terá aplausos, mas não estará pregando evangelho. Será passador de pomada ou distribuidor de sobremesa, mas não de alimento espiritual.
Pregador religioso deve ser gentil e delicado ao falar, mas se tiver que dar uma de Cristo, João Batista e João Crisóstomo diante de flagrantes injustiças, não terá escolha. Aconteceu com muitos papas, inúmeros bispos aqui no Brasil, e vai acontecer sempre, quando o tema é vida e alguém quer uma lei que permita extingui-la antes que passe da 7ª ou 14ª semana de gestação. Se o pregador se calar, por achar o assunto inoportuno naquele banquete, pecará por omissão. Se estavam levantando fundos para uma creche ou para um pronto –socorro infantil, aquela era, sim, uma hora excelente para falar, diante de deputados e chefes de partido, por cujas mãos acabam passando leis que permitem o aborto.
Pedir o direito de subir a um púlpito e ali falar apenas o que agrada é o mesmo que celebrar uma missa e mudar o evangelho daquele domingo, porque o prefeito poderia não gostar do assunto. Pensam que estou inventando? Aconteceu e quem me contou foi o bispo da região, decepcionado com o partidarismo do seu pároco, capaz de contrariar a Igreja, mas não o Partido do seu coração...
Pe Zezinho scj
26 de novembro de 2007
Só no mundo
Chamava-se Cristina e tinha 23 anos e uma história de marejar os olhos. Família de onze irmãos. Das treze pessoas sobraram ela e dois irmãos, um dos quais não via há cinco anos. O pai fora morar com outra depois de encher a mãe de filhos. Fez mais três na outra matriz. Morreu aos 50 anos de cirrose hepática, a mãe morreu de complicações no pulmão.
Um por um os irmãos foram morrendo: Numa só noite dois irmãos foram esfaqueados; quatro deles em três anos por atropelamento, overdose, ataque epiléptico e doença que ela nem sabia dizer qual. Para resumir: ela e o Cristiano só tinham um ao outro. Ele com dezesseis anos, dependente dela. Queria uma ajuda porque Cristiano andava mexendo com maconha e ela não podia perdê-lo. O rapaz deu de não mais estudar nem trabalhar.
O dinheiro do aluguel mal dava para se manterem. Uma escola mudaria o Cristiano. Fiquei olhando aqueles olhos tristes e vermelhos de chorar, pelo único irmão que lhe sobrara. Indiquei um grupo católico que ajudava rapazes drogados. Conseguimos internação. Ontem fiquei sabendo que há 6 meses o rapaz morreu afogado em Santos.
Sobrou a Cristina. Veio me ver. Está envelhecida aos 27 anos.
Só no mundo e literalmente só.
Pediu licença e fez-me uma pergunta:
- Deus quis tudo isso, padre?
Se eu fosse da linha fundamentalista, iria citar umas 20 frases da Bíblia, para dizer que Deus sabe o que faz e que isso tudo foi para o bem. Como minha fé não tem resposta para tudo , respondi:- Gostaria de saber porquê, mas não sei. Gente como você Cristina, faz a gente repensar o conceito de vida e de Deus. Agora você sofre. Daqui a 15 anos teremos outras respostas. E quem sabe você estará me explicando a dor da cruz.
Apertou-me, abraçou-me e disse:
- Não lhe contei. Estou namorando e vamos nos casar no fim do ano. Reze por nós.
E eu...- Olha aí uma resposta!
Pe Zezinho scj
Um por um os irmãos foram morrendo: Numa só noite dois irmãos foram esfaqueados; quatro deles em três anos por atropelamento, overdose, ataque epiléptico e doença que ela nem sabia dizer qual. Para resumir: ela e o Cristiano só tinham um ao outro. Ele com dezesseis anos, dependente dela. Queria uma ajuda porque Cristiano andava mexendo com maconha e ela não podia perdê-lo. O rapaz deu de não mais estudar nem trabalhar.
O dinheiro do aluguel mal dava para se manterem. Uma escola mudaria o Cristiano. Fiquei olhando aqueles olhos tristes e vermelhos de chorar, pelo único irmão que lhe sobrara. Indiquei um grupo católico que ajudava rapazes drogados. Conseguimos internação. Ontem fiquei sabendo que há 6 meses o rapaz morreu afogado em Santos.
Sobrou a Cristina. Veio me ver. Está envelhecida aos 27 anos.
Só no mundo e literalmente só.
Pediu licença e fez-me uma pergunta:
- Deus quis tudo isso, padre?
Se eu fosse da linha fundamentalista, iria citar umas 20 frases da Bíblia, para dizer que Deus sabe o que faz e que isso tudo foi para o bem. Como minha fé não tem resposta para tudo , respondi:- Gostaria de saber porquê, mas não sei. Gente como você Cristina, faz a gente repensar o conceito de vida e de Deus. Agora você sofre. Daqui a 15 anos teremos outras respostas. E quem sabe você estará me explicando a dor da cruz.
Apertou-me, abraçou-me e disse:
- Não lhe contei. Estou namorando e vamos nos casar no fim do ano. Reze por nós.
E eu...- Olha aí uma resposta!
Pe Zezinho scj
22 de novembro de 2007
Realistas e idealistas
O realista se proclama alguém capaz de administrar os fatos como eles são e não como poderiam ou deveriam ser. O idealista acha que as coisas podem voltar a ser o que eram, ou vir a ser o que poderiam ser. Um e outro têm os seus limites. O realista pode acabar fazendo mais concessões do que deveria fazer e o idealista pode não perceber que seu tempo passou, ou não virá nunca, pelo menos não daquele jeito.
Nem todo o idealista é um inconformado e nem todo o realista é um conformado. Não são adjetivos que devam andar juntos. Pode-se ser idealista e, ao mesmo tempo conformar-se com alguns fatos e situações, por questão de convivência. Se não fizer isso, a pessoa pode acabar na intolerância e na ditadura. Pode-se ser realista e administrar agora, por enquanto uma situação incomoda, até que se possa por em prática o sonho que teve que esperar. Políticos, e religiosos que sonham algo para seu povo podem assumir uma das duas posturas. Não fazer nenhuma concessão, fazer concessões demais. Quando achamos que as coisas têm que ser como as sonhamos, corremos o risco de nos acharmos maiores do que o nosso sonho. Quando tudo tem de acontecer como sonhamos, então o que conta não é o projeto, mas nossa vontade e a nossa vitória. Arquiteto que não faz mudanças nos alicerces do seu projeto quando o terreno se revelou mais insidioso do que parecia corre o risco de não terminar o que projetou. Piloto que não corrige ou não muda substancialmente a rota, quando a tempestade se revelou mais forte do que se supunha pode por em perigo as vidas que tem sob sua responsabilidade.
Há idealistas que se gabam de não fazer concessões, Parecem puros , mas não são.. Traçaram a rota e fiam fiéis a ela, aconteça o que acontecer. Parece bonito e heróico, mas é irresponsável. Imagine o piloto que descobre que pode cair no olho de um furacão e espera que o furacão saia do seu caminho ao invés de ele sair do caminho do furacão. Os dois estão de vento varrido, mas o idealista puro que nunca faz concessões é o mais perigoso. Todo mundo já sabe o que o furacão pode causar. Furacões nunca são bonitos e simpáticos. Certos idealistas radicais encantam. Até o dia em que rompem conosco, porque não foi possível fazer as coisas como eles queriam. Em nome do princípio da fidelidade a si mesmos e aos seus projetos são capazes de romper amizades de muitos anos. Não conseguem ser amigos de quem não fez o que eles queriam que fosse feito. Postes não se dobram e não se vergam. É por isso que são postes. Árvores choram, balançam, curvam-se e perdem os frutos, mas se renovam. É por isso que são árvores.
Pe Zezinho scj
Nem todo o idealista é um inconformado e nem todo o realista é um conformado. Não são adjetivos que devam andar juntos. Pode-se ser idealista e, ao mesmo tempo conformar-se com alguns fatos e situações, por questão de convivência. Se não fizer isso, a pessoa pode acabar na intolerância e na ditadura. Pode-se ser realista e administrar agora, por enquanto uma situação incomoda, até que se possa por em prática o sonho que teve que esperar. Políticos, e religiosos que sonham algo para seu povo podem assumir uma das duas posturas. Não fazer nenhuma concessão, fazer concessões demais. Quando achamos que as coisas têm que ser como as sonhamos, corremos o risco de nos acharmos maiores do que o nosso sonho. Quando tudo tem de acontecer como sonhamos, então o que conta não é o projeto, mas nossa vontade e a nossa vitória. Arquiteto que não faz mudanças nos alicerces do seu projeto quando o terreno se revelou mais insidioso do que parecia corre o risco de não terminar o que projetou. Piloto que não corrige ou não muda substancialmente a rota, quando a tempestade se revelou mais forte do que se supunha pode por em perigo as vidas que tem sob sua responsabilidade.
Há idealistas que se gabam de não fazer concessões, Parecem puros , mas não são.. Traçaram a rota e fiam fiéis a ela, aconteça o que acontecer. Parece bonito e heróico, mas é irresponsável. Imagine o piloto que descobre que pode cair no olho de um furacão e espera que o furacão saia do seu caminho ao invés de ele sair do caminho do furacão. Os dois estão de vento varrido, mas o idealista puro que nunca faz concessões é o mais perigoso. Todo mundo já sabe o que o furacão pode causar. Furacões nunca são bonitos e simpáticos. Certos idealistas radicais encantam. Até o dia em que rompem conosco, porque não foi possível fazer as coisas como eles queriam. Em nome do princípio da fidelidade a si mesmos e aos seus projetos são capazes de romper amizades de muitos anos. Não conseguem ser amigos de quem não fez o que eles queriam que fosse feito. Postes não se dobram e não se vergam. É por isso que são postes. Árvores choram, balançam, curvam-se e perdem os frutos, mas se renovam. É por isso que são árvores.
Pe Zezinho scj
7 de novembro de 2007
Crentes e católicos
Sou crente católico. Quando um fiel diz isso por varias razões e faz a sua lista , talvez ouvirá um evangélico dizer que é crente evangélico por isso , mais isso mais aquilo. O erro está naquele que acrescenta : “Portanto , sou mais cristão, sou melhor filho , estou mais salvo e sou mais fiel do que você . Estabelecer identidade é uma coisa , agredir o outro. é outra. Não preciso apagar a estrela do outro para mostrar a grandeza da minha. Não preciso xingar nem diminuir a mãe do meu amigo ou vizinho só porque acho a minha mais bonita e mais serena. E não preciso trocar de mãe se já tenho uma e me dou bem com ela . Nem que não me desse bem , ainda assim teria que aprender a viver com minha mãe .A questão da identidade tem a ver com a fé no Espirito que nos inspira . Não nascemos em vão da mãe que temos e não fomos chamados a viver esta fé por acaso . Temos raízes e podemos frutificar na nossa própria igreja . Para ser santo não é preciso mudar de igreja . O que é preciso é mudar de vida e saber quem somos, o que Deus espera de nós e o que podemos dar a Deus nesse caminho e nesta Igreja em que ele nos colocou .Quem quiser odiar, agredir e ofender sua Igreja mãe porque ela não disse nem fez tudo o que ele esperava será como o filho que procura outra identidade , e vai embora procurar outra mãe porque a mãe da qual ele nasceu lhe parece errada. É difícil crer que esse filho seja tão santo que possa trocar de mãe sem conseqüências . Isso mexe com identidade . Cristo no catolicismo ou numa outra igreja ? A escolha é fundamental e só pode ser feita na serenidade. Os que proclama sua identidade às custas de mentiras ou agressões contra a outra igreja perdem a moral . Os que estabelecem sua escolha porque realmente acreditam no Espirito Santo de Deus, aprendem a respeitar o mesmo Espirito que arranca o que divide e que aproxima até os inimigos . Descobrem que são quem são por graça de Deus e que os outros são quem são por graça do mesmo Deus . Quem acha que ser cristão é uma graça e não o ser é uma desgraça , não entendeu Jesus .
Pe Zezinho scj
Pe Zezinho scj
15 de outubro de 2007
A Igreja contra as armas
Nas suas encíclicas sociais, Leão XIII. Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II deixam mais do que claro que nós católicos somos contra as armas. Milhões de pessoas foram mortas, expulsas de seus paises, massacradas e dizimas pela força das bombas ou pelo poder das armas. Raramente servem para a defesa, porque quem ataca o faz sabendo que pode mais ou contando com a traição e a surpresa. Na maioria dos casos ter armas é o mesmo que não ter. Serve para os povos, serve para os indivíduos.
A responsabilidade maior ficará sempre com quem atacou primeiro ou com quem matou e massacrou. Há o direito de defesa, mas não o direito de ataque. Quem dá o primeiro tiro acaba legitimando os tiros dos outros. Violência gera violência em espiral e em escala cada dia mais crescente.
O Brasil é um exemplo disso. De l990 e 2.000 , em apenas dez anos, 279.923 pessoas morreram vítimas de armas de fogo, que é sempre um instrumento de agressão, ainda que o chamemos de defesa. Paises em guerra perderam menos gente do que nós, para o crime ou para causas banais. Um aposentado de Araraquara, SP, 83 anos, com sinais de desequilíbrio, fere gravemente um rapaz que empinava uma pipa na rua, mas a pipa sobrevoava o seu quintal. Tinha uma arma de fogo. Adolescente de Mesquita RJ, 15 anos, é morto por amigo de 16 anos, que brincava de atirar, achando que a arma estava vazia. Seu pai tinha uma arma. Quatro PMs ficaram feridos, quando traficantes atiraram duas granadas sobre eles na Linha Amarela. Grupo invade churrasco em BH e mata 2 e fere 7 pessoas. ( OESP 26.07.2004) Diariamente os jornais, o rádio e a televisão nos informam que, por causa das facas ou das armas de fogo, de norte a sul do país, morreram mais cem ou duzentas pessoas no Brasil. Por isso chegamos á cifra de quase trezentos mil assassinatos em 10 anos. Acrescente-se a isso a violência no trânsito, as mortes por tóxicos, onde a violência está embutida, e teremos um quadro mais do que claro.
Quem tem armas, ou já matou, ou vai matar, ou vai morrer por causa delas. Ou nos transformam em vítimas ou assassinos. Poucos as usam em legítima defesa. Na maioria das vezes são usadas com ira, que , na maioria das vezes embotam o raciocínio.Nosso índice de mortes por armas de fogo é de 18,7 mortes por cem mil habitantes. Os Estados Unidos registram 10,5 mortes pelo mesmo número de habitantes. Nosso índice é 8,7 superior. Mas, lá se fabricam 3,2 milhões de armas por ano e, no Brasil, 200 mil. Isso quer dizer que, fabricando 3 milhões de armas a menos, o brasileiro mata 8,7 a mais do que lá. Conclusão: o brasileiro usa mais das suas armas. Isso derruba o mito de que somos um povo pacífico. Mata-se mais por aqui do que em paises onde os cidadãos possuem milhões de armas a mais do que nós.
Faz bem o Governo em combater duramente a posse ou o porte de armas. Não é tudo, mas é um bom começo. As Igrejas, as escolas, as famílias e os clubes de serviço devem fazer a outra parte: semear o respeito pelo outro ser humano. Armas, só para quem sabe e tem licença de usá-las em defesa do povo. Quem tem uma arma no campo ou na floresta, talvez a use contra animais violentos, mas, na cidade, sabe que vai usá-la ou contra um cão agressivo, ou contra pessoas, E nunca sabe se vai fazer a coisa certa. Na maioria das vezes, o problema poderia ser resolvido de outra forma. Acontece que ele se sentiu ameaçado e ofendido e capaz de resolver aquele assunto.
Ele tinha uma arma!
A responsabilidade maior ficará sempre com quem atacou primeiro ou com quem matou e massacrou. Há o direito de defesa, mas não o direito de ataque. Quem dá o primeiro tiro acaba legitimando os tiros dos outros. Violência gera violência em espiral e em escala cada dia mais crescente.
O Brasil é um exemplo disso. De l990 e 2.000 , em apenas dez anos, 279.923 pessoas morreram vítimas de armas de fogo, que é sempre um instrumento de agressão, ainda que o chamemos de defesa. Paises em guerra perderam menos gente do que nós, para o crime ou para causas banais. Um aposentado de Araraquara, SP, 83 anos, com sinais de desequilíbrio, fere gravemente um rapaz que empinava uma pipa na rua, mas a pipa sobrevoava o seu quintal. Tinha uma arma de fogo. Adolescente de Mesquita RJ, 15 anos, é morto por amigo de 16 anos, que brincava de atirar, achando que a arma estava vazia. Seu pai tinha uma arma. Quatro PMs ficaram feridos, quando traficantes atiraram duas granadas sobre eles na Linha Amarela. Grupo invade churrasco em BH e mata 2 e fere 7 pessoas. ( OESP 26.07.2004) Diariamente os jornais, o rádio e a televisão nos informam que, por causa das facas ou das armas de fogo, de norte a sul do país, morreram mais cem ou duzentas pessoas no Brasil. Por isso chegamos á cifra de quase trezentos mil assassinatos em 10 anos. Acrescente-se a isso a violência no trânsito, as mortes por tóxicos, onde a violência está embutida, e teremos um quadro mais do que claro.
Quem tem armas, ou já matou, ou vai matar, ou vai morrer por causa delas. Ou nos transformam em vítimas ou assassinos. Poucos as usam em legítima defesa. Na maioria das vezes são usadas com ira, que , na maioria das vezes embotam o raciocínio.Nosso índice de mortes por armas de fogo é de 18,7 mortes por cem mil habitantes. Os Estados Unidos registram 10,5 mortes pelo mesmo número de habitantes. Nosso índice é 8,7 superior. Mas, lá se fabricam 3,2 milhões de armas por ano e, no Brasil, 200 mil. Isso quer dizer que, fabricando 3 milhões de armas a menos, o brasileiro mata 8,7 a mais do que lá. Conclusão: o brasileiro usa mais das suas armas. Isso derruba o mito de que somos um povo pacífico. Mata-se mais por aqui do que em paises onde os cidadãos possuem milhões de armas a mais do que nós.
Faz bem o Governo em combater duramente a posse ou o porte de armas. Não é tudo, mas é um bom começo. As Igrejas, as escolas, as famílias e os clubes de serviço devem fazer a outra parte: semear o respeito pelo outro ser humano. Armas, só para quem sabe e tem licença de usá-las em defesa do povo. Quem tem uma arma no campo ou na floresta, talvez a use contra animais violentos, mas, na cidade, sabe que vai usá-la ou contra um cão agressivo, ou contra pessoas, E nunca sabe se vai fazer a coisa certa. Na maioria das vezes, o problema poderia ser resolvido de outra forma. Acontece que ele se sentiu ameaçado e ofendido e capaz de resolver aquele assunto.
Ele tinha uma arma!
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