Quando o noticiário das 8h mostrou duzentas pessoas se abraçando em defesa dos enfermos com doenças degenerativas, mas não mostrou 10 mil da semana anterior orando e discursando em defesa do embrião; quando mostrou o doente na cadeira de rodas pedindo a liberação do uso das células tronco de embriões, mas não mostrou o embrião sacrificado; quando outra vez mostrou as lágrimas de uma senhora que pedia em nome do seu filho enfermo o direito á pesquisa na qual o embrião humano morre, e, a seguir, apenas falou dos bispos reunidos que condenam tais experiências, mas não entrevistou nenhum deles, aquela mídia prestou um desserviço: salientou a dor de quem quer a busca de uma solução para os seus enfermos, mas não mostrou a palavra de quem também quer a busca de uma solução para os enfermos, mas não à custa da morte de um embrião humano.
Quem editou a reportagem deixou claro de que lado estava: não foi imparcial. Assim, os que buscam um caminho de solução para os seus enfermos, ainda que causando a morte de embriões, parecem vítimas inocentes, enquanto os que também querem soluções, mas não com a morte de embriões humanos parecem algozes, insensíveis e maus. Falam de nós como se também não tivéssemos enfermos em algumas de nossas casas.
Eles são as vítimas porque procuram ajudar algum doente adulto, mas admitindo a morte de uma vida humana menor do que uma unha, enquanto nós parecemos carrascos porque propomos outras maneiras de pesquisar com células-tronco, sem eliminar uma vida. Somos apontados como cruéis porque defendemos a vida do pequeníssimo ser humano já concebido.
Apontam-nos como culpados por defender uma vida menor do que uma cabeça de alfinete ou uma unha, mas vida humana; culpados por querer outra solução na utilização das células-tronco, solução que já se vai descobrindo, culpados por não ceder na defesa da vida humana já concebida e do óvulo humano já fertilizado. Culpam-nos por imaginar este ser crescido e adulto a agradecer os juizes, os congressistas, os médicos, os pais e os religiosos que lutaram por ele, quando ele era apenas um ser nos primeiros dias de formação, mas alguns já queriam sua morte para que outros vivessem.
Culpem todos religiosos de todas as igrejas que acreditam na alma, no embrião, no feto e no futuro. É isso o que supostamente uma religião deve fazer. Nós não culpamos quem quer uma solução rápida para os seus enfermos, mas achamos que não se pode seguir pelo caminho da morte do embrião. Se o enfermo tem o direito às pesquisas, o embrião humano tem o direito à vida e ao futuro.
Quanto ao embrião que não teria futuro, porque foi congelado, eles querem livre acesso a ele. E nós dizemos que se o querem é porque tem vida. Se ele tem que morrer, então somos contra. Então nos brindam com adjetivos nada agradáveis. Nós que também temos enfermos, eu que tive pai e parentes com doença degenerativa, talvez não mereçamos tais adjetivos.
Se eles são apenas seres humanos cheios de compaixão, que desejam vida melhor para os seus enfermos, nós também temos compaixão dos enfermos deles e dos nossos, porque também temos hospitais e somos milhares que vão lá minorar as dores alheias. Acontece que a nossa compaixão também se estende ao embrião que ainda não fala, mas pode falar daqui a dois anos!
Aplica-se a compaixão para com quem não anda ou não viveria muito tempo sem as pesquisas e as possíveis soluções do uso do embrião, e não se mostra nenhuma compaixão para com o embrião que pode ser alguém como nós? Falam do embrião marginal, o que nunca será um ser humano porque os pais não o querem e seu óvulo fertilizado que virou embrião está guardado numa clínica. Querem o direito de usá-lo. Seguindo a lógica, o que farão com os anciãos de asilos nos últimos dias de vida e com os pobres que dormem debaixo de viadutos? Parece que também ninguém os quer... Não quererão também usá-los para pesquisa, já que foram abandonados ali? Estamos falando de cura ou de eugenia? O ser humano tido como inferior deve ajudar o ser humano superior ferido? É assim que se faz uma sociedade sadia? São perguntas incômodas nascidas da guerra pró e contra o uso do embrião humano! Mas precisam ser feitas!
Pe Zezinho scj
28 de maio de 2008
18 de maio de 2008
Aos que mudaram de Igreja
Não faz muito tempo, pus-me a pensar nos meus irmãos que foram embora do catolicismo. São milhões. Pensei também nos que vieram embora do protestantismo e do pentecostalismo. Não são milhões, mas é um número significativo.
O que os levou para lá? O que os trouxe para cá, se todos dizem que se trata do mesmo Deus, do mesmo Pai e do mesmo salvador Jesus Cristo? Eu diria, entre mais de vinte razões que conheço, que sentir-se alguém lá ou aqui, a noção de permitido e proibido o ângulo de visão e o enfoque respondem pela maioria das opções de ir ou de vir.
Perderíamos a perspectiva e estaríamos sujeitos a sermos julgados por Jesus na mesma medida (Mt 7,1) se nos puséssemos a julgar estes irmãos e estas irmãs que por razões que só elas sabem quais foram, não quiseram mais adorar, cultuar, pensar, cantar, orar e caminhar conosco nos nossos templos. Nossos irmãos evangélicos e pentecostais correriam o mesmo risco, se começassem a julgar os que não quiseram mais caminhar com eles nem pensar ou orar como eles fazem e vieram para o catolicismo.
Pedro, André, Tiago, João, Bartolomeu e os outros e, mais tarde, Paulo continuaram judeus e amando o seu povo, mas decidiram crer que Jesus era o Messias prometido. Apostaram sua vida nessa direção e morreram por esta verdade.
No caso de quem foi para outra igreja ou veio para a nossa, mais do que as doutrinas ou dogmas que sustentam vai valer o modo com tratam os outros. Seremos julgados não pelo nosso modo bonito de dizer “Senhor, Senhor”, de fechar os olhos e entrar em êxtase, e sim, pelo modo bonito de querer bem as pessoas, mesmo aquelas que não comungam mais das nossas preces ou idéias.
São milhões os que nesses últimos 40 anos mudaram de religião, ou, dentro da religião cristã, mudaram de igreja e de enfoque. Eles agora crêem de um jeito que ontem não sabiam nem admitiam. Uns deixaram para trás muitas crenças de ontem. Outros assumiram ou reassumiram, numa dimensão mais adulta, as crenças que há quinze anos tinham abandonado.
“Criação, evolução, povo de Deus, anjos, visões, revelações, aparições de anjos ou de santos, julgamento final, volta de Cristo, reencarnação, céu, inferno, purgatório, intercessão, último dia, ressurreição da carne, perdão dos pecados, ação do Espírito Santo, dom de línguas, eucaristia, santos, imagens, o papel de Maria, predestinação, eleição, perdão de pecados, penitência, culpa e reconciliação”... e dezenas ou centenas de outras afirmações e doutrinas hoje dividem muitos cristãos. Um crê nisso e outro naquilo, um de um jeito e outro de outro. E todos acham alguma passagem bíblica para garantir que o seu grupo religioso está mais certo do que o outro.
Há os mais agressivos: ofendem, brigam, chutam símbolos, queimam livros e atacam. Entendem-se tão certos que arriscam ser condenados por Deus, ao julgar o irmão de outra fé e até mesmo afirmar que os de outra religião têm o demônio na mente ou estão nas trevas. Julgam, sabendo que Jesus disse que seriam julgados pelo que falassem contra seus irmãos. Mas arriscam. ( Mt 7,1-3)
Há os gentis que discordam, mas respeitam. Olham o céu, a terra, o perdão, a graça e a vida com outras lentes e de outro ângulo, mas respeitam o jeito e a visão dos outros. Não acham que suas igrejas são melhores só porque estão cheias de novos adeptos. Ficam felizes, mas não chegam ao extremo de achar que números fazem uma igreja mais santa que a outra. Neste caso, teriam que dizer que a Igreja Católica no Brasil é mais santa do que a deles porque, bem ou mal, ainda somos 74% dos brasileiros. O número e o crescimento não fazem uma igreja boa. É o modo como seus fiéis vivem e respeitam os outros que dá uma idéia do valor essas pregações e das suas preces.
Ligo a televisão e o radio, ouço as canções e o discurso dos católicos, cada qual com os seus enfoques, dos evangélicos das mais diversas procedências, dos pentecostais, do neo- pentecostais, também eles com os seus mais diversos enfoques e suas ênfases e vejo como as igrejas estão marcadas pelos seus pregadores. Sempre estiveram. Montano Donato, Ário, Eutíquio, Atanásio, Crisóstomo, Agostinho, Nestório e mais tarde Wycliffe, Calvino, Huss, Lutero eram pregadores fortes que arrastaram milhões de fiéis para o seu lado da fé. Seus fiéis pensaram não necessariamente como Cristo pensava, mas como os pregadores diziam que Cristo pensava.
As coisas não mudaram muito. A maioria dos convertidos para uma igreja ainda se convertem primeiro para os argumentos do pregador e só depois para o Cristo que o pregador anunciou. Mas acabam pensando do jeito que o pregador pensa. Ou trocam a palavra do padre pela do pastor ou a do pastor pela do padre. Muitos nem sequer lêem mais nada. Dependem do que seu pregador predileto diz na pregação de quarta feira ou de domingo.
Relevância é um ponto fundamental na mudança de religião. Sentir-se chamado, escolhido e eleito para conhecer novos mistérios ou a verdade de um jeito melhor e mais verdadeiro é o que leva alguém para outra religião. Quem fez a mudança deve ser respeitado, quer vá para lá, quer venha para cá. A agressão e as ameaças não funcionam. Vale a graça. E esta é Deus quem dá, por mais que o pregador se ache no direito de decidir quem a tem e quem não a possui.
Feitas as contas, os caridosos definem uma igreja. Quem, depois da sua conversão, não sabe conviver com quem crê ou pensa diferente dele, na verdade não se converteu: apenas mudou de tribuna para pregar os seus preconceitos. Deixou de pecar num templo e foi pecar no outro. Não conseguiu ser santo aqui e não está conseguindo ser santo lá. Não entendeu que converter-se é mais do que mudar de igreja: é mudar de vida.
É bem isso o que ainda não aconteceu com muitos convertidos. Eram bem menos prevalecidos e agressores, quando estavam do lado de cá. Agora que dizem ter Jesus, acham-se no direito de ofender com palavras e atitudes até cruéis os que ficaram na sua antiga igreja. Entregar-se a Jesus é mais do que isso que eles andam fazendo. Já ouviu alguns programas de radio na madrugada?
O que os levou para lá? O que os trouxe para cá, se todos dizem que se trata do mesmo Deus, do mesmo Pai e do mesmo salvador Jesus Cristo? Eu diria, entre mais de vinte razões que conheço, que sentir-se alguém lá ou aqui, a noção de permitido e proibido o ângulo de visão e o enfoque respondem pela maioria das opções de ir ou de vir.
Perderíamos a perspectiva e estaríamos sujeitos a sermos julgados por Jesus na mesma medida (Mt 7,1) se nos puséssemos a julgar estes irmãos e estas irmãs que por razões que só elas sabem quais foram, não quiseram mais adorar, cultuar, pensar, cantar, orar e caminhar conosco nos nossos templos. Nossos irmãos evangélicos e pentecostais correriam o mesmo risco, se começassem a julgar os que não quiseram mais caminhar com eles nem pensar ou orar como eles fazem e vieram para o catolicismo.
Pedro, André, Tiago, João, Bartolomeu e os outros e, mais tarde, Paulo continuaram judeus e amando o seu povo, mas decidiram crer que Jesus era o Messias prometido. Apostaram sua vida nessa direção e morreram por esta verdade.
No caso de quem foi para outra igreja ou veio para a nossa, mais do que as doutrinas ou dogmas que sustentam vai valer o modo com tratam os outros. Seremos julgados não pelo nosso modo bonito de dizer “Senhor, Senhor”, de fechar os olhos e entrar em êxtase, e sim, pelo modo bonito de querer bem as pessoas, mesmo aquelas que não comungam mais das nossas preces ou idéias.
São milhões os que nesses últimos 40 anos mudaram de religião, ou, dentro da religião cristã, mudaram de igreja e de enfoque. Eles agora crêem de um jeito que ontem não sabiam nem admitiam. Uns deixaram para trás muitas crenças de ontem. Outros assumiram ou reassumiram, numa dimensão mais adulta, as crenças que há quinze anos tinham abandonado.
“Criação, evolução, povo de Deus, anjos, visões, revelações, aparições de anjos ou de santos, julgamento final, volta de Cristo, reencarnação, céu, inferno, purgatório, intercessão, último dia, ressurreição da carne, perdão dos pecados, ação do Espírito Santo, dom de línguas, eucaristia, santos, imagens, o papel de Maria, predestinação, eleição, perdão de pecados, penitência, culpa e reconciliação”... e dezenas ou centenas de outras afirmações e doutrinas hoje dividem muitos cristãos. Um crê nisso e outro naquilo, um de um jeito e outro de outro. E todos acham alguma passagem bíblica para garantir que o seu grupo religioso está mais certo do que o outro.
Há os mais agressivos: ofendem, brigam, chutam símbolos, queimam livros e atacam. Entendem-se tão certos que arriscam ser condenados por Deus, ao julgar o irmão de outra fé e até mesmo afirmar que os de outra religião têm o demônio na mente ou estão nas trevas. Julgam, sabendo que Jesus disse que seriam julgados pelo que falassem contra seus irmãos. Mas arriscam. ( Mt 7,1-3)
Há os gentis que discordam, mas respeitam. Olham o céu, a terra, o perdão, a graça e a vida com outras lentes e de outro ângulo, mas respeitam o jeito e a visão dos outros. Não acham que suas igrejas são melhores só porque estão cheias de novos adeptos. Ficam felizes, mas não chegam ao extremo de achar que números fazem uma igreja mais santa que a outra. Neste caso, teriam que dizer que a Igreja Católica no Brasil é mais santa do que a deles porque, bem ou mal, ainda somos 74% dos brasileiros. O número e o crescimento não fazem uma igreja boa. É o modo como seus fiéis vivem e respeitam os outros que dá uma idéia do valor essas pregações e das suas preces.
Ligo a televisão e o radio, ouço as canções e o discurso dos católicos, cada qual com os seus enfoques, dos evangélicos das mais diversas procedências, dos pentecostais, do neo- pentecostais, também eles com os seus mais diversos enfoques e suas ênfases e vejo como as igrejas estão marcadas pelos seus pregadores. Sempre estiveram. Montano Donato, Ário, Eutíquio, Atanásio, Crisóstomo, Agostinho, Nestório e mais tarde Wycliffe, Calvino, Huss, Lutero eram pregadores fortes que arrastaram milhões de fiéis para o seu lado da fé. Seus fiéis pensaram não necessariamente como Cristo pensava, mas como os pregadores diziam que Cristo pensava.
As coisas não mudaram muito. A maioria dos convertidos para uma igreja ainda se convertem primeiro para os argumentos do pregador e só depois para o Cristo que o pregador anunciou. Mas acabam pensando do jeito que o pregador pensa. Ou trocam a palavra do padre pela do pastor ou a do pastor pela do padre. Muitos nem sequer lêem mais nada. Dependem do que seu pregador predileto diz na pregação de quarta feira ou de domingo.
Relevância é um ponto fundamental na mudança de religião. Sentir-se chamado, escolhido e eleito para conhecer novos mistérios ou a verdade de um jeito melhor e mais verdadeiro é o que leva alguém para outra religião. Quem fez a mudança deve ser respeitado, quer vá para lá, quer venha para cá. A agressão e as ameaças não funcionam. Vale a graça. E esta é Deus quem dá, por mais que o pregador se ache no direito de decidir quem a tem e quem não a possui.
Feitas as contas, os caridosos definem uma igreja. Quem, depois da sua conversão, não sabe conviver com quem crê ou pensa diferente dele, na verdade não se converteu: apenas mudou de tribuna para pregar os seus preconceitos. Deixou de pecar num templo e foi pecar no outro. Não conseguiu ser santo aqui e não está conseguindo ser santo lá. Não entendeu que converter-se é mais do que mudar de igreja: é mudar de vida.
É bem isso o que ainda não aconteceu com muitos convertidos. Eram bem menos prevalecidos e agressores, quando estavam do lado de cá. Agora que dizem ter Jesus, acham-se no direito de ofender com palavras e atitudes até cruéis os que ficaram na sua antiga igreja. Entregar-se a Jesus é mais do que isso que eles andam fazendo. Já ouviu alguns programas de radio na madrugada?
25 de abril de 2008
O colo imenso de Deus
Os religiosos costumam tratar o Deus em quem acreditam, ou com reverência, ou com temor, ou com intimidade. Depende muito do conceito que fazem de poder, de amor e de justiça. Para nós vale a profecia de Oséias até nos pontos e virgulas. Nosso Deus e como pai que se inclina para conversar com seus filhos pequenos e, quando isso ajuda, faz por eles e os toma no colo.
Falar de Deus sem falar do seu colo é omitir o aspecto fundamental do amor de Deus. Ele nos ama profundamente e gosta dos filhos que criou, mesmo quando não correspondemos ao seu amor.
Acostumamo-nos com muitos outros cristãos a chamar o Deus em quem acreditamos, de Pai, porque a figura preeminente, em todos os tempos e na maioria dos povos e culturas foi sempre a do pai. Embora toda a responsabilidade, carinho, ternura e processo de educação dos filhos ficassem com a mãe, na maioria dos povos, a autoridade cabia ao pai. Nada estranho, portanto, que a maioria das religiões considere Deus um ser masculino e o chame de Pai. A palavra Deus é para nós um nome masculino, mas o ser Deus para nós não é masculino.
A evolução dos costumes e do pensamento universal está levando muitos grupos e religiões a dizer que Deus também é mãe. A partir do conceito de um Deus que não seja nem homem nem mulher e está acima de toda e qualquer figura, feição e contingência humana, toma vulto hoje idéia de Deus Pai-Mãe.
O radicalismo pode levar a atitudes não muito compreendidas, mas é interessante lembrar que não deixa de ser um progresso. Entendemos que Deus não é um ser masculino, como também não é um ser feminino. Ele está acima da masculinidade e da feminilidade. Por isso, há povos que, para designar Deus, usam uma palavra feminina, enquanto outros se fixam na palavra masculina ou neutra. Da mesma forma, existem povos para quem a palavra Terra é masculina, enquanto para outros ela é masculina. Os romanos usavam tellus e terra, os gregos diziam gaia.. Se nos acostumarmos com esta idéia de que Deus não é um ser masculino e sim, simplesmente Deus, compreenderemos a mística da paternidade e da maternidade, ambas vindas daquele que é pai e mãe, e cuida e ama, como todo pai toda a mãe deveria fazê-lo. Acostumemo-nos a imaginar Deus não como um ser humano, mas como o ser primeiro, para quem nenhuma forma ou descrição é suficiente. Pai imenso, pai-mãe imenso, Deus é amor. Chamando-o de pai ou mãe, o importante é nunca imagina-lo com rosto de gente. Ele é pessoa, mas não é pessoa humana. Seu colo, porém, que não é um colo humano, é infinito. Cabemos perfeitamente dentro dele: todos os indivíduos e povos que já passaram ou passarão por este mundo.
Pe. Zezinho scj
Falar de Deus sem falar do seu colo é omitir o aspecto fundamental do amor de Deus. Ele nos ama profundamente e gosta dos filhos que criou, mesmo quando não correspondemos ao seu amor.
Acostumamo-nos com muitos outros cristãos a chamar o Deus em quem acreditamos, de Pai, porque a figura preeminente, em todos os tempos e na maioria dos povos e culturas foi sempre a do pai. Embora toda a responsabilidade, carinho, ternura e processo de educação dos filhos ficassem com a mãe, na maioria dos povos, a autoridade cabia ao pai. Nada estranho, portanto, que a maioria das religiões considere Deus um ser masculino e o chame de Pai. A palavra Deus é para nós um nome masculino, mas o ser Deus para nós não é masculino.
A evolução dos costumes e do pensamento universal está levando muitos grupos e religiões a dizer que Deus também é mãe. A partir do conceito de um Deus que não seja nem homem nem mulher e está acima de toda e qualquer figura, feição e contingência humana, toma vulto hoje idéia de Deus Pai-Mãe.
O radicalismo pode levar a atitudes não muito compreendidas, mas é interessante lembrar que não deixa de ser um progresso. Entendemos que Deus não é um ser masculino, como também não é um ser feminino. Ele está acima da masculinidade e da feminilidade. Por isso, há povos que, para designar Deus, usam uma palavra feminina, enquanto outros se fixam na palavra masculina ou neutra. Da mesma forma, existem povos para quem a palavra Terra é masculina, enquanto para outros ela é masculina. Os romanos usavam tellus e terra, os gregos diziam gaia.. Se nos acostumarmos com esta idéia de que Deus não é um ser masculino e sim, simplesmente Deus, compreenderemos a mística da paternidade e da maternidade, ambas vindas daquele que é pai e mãe, e cuida e ama, como todo pai toda a mãe deveria fazê-lo. Acostumemo-nos a imaginar Deus não como um ser humano, mas como o ser primeiro, para quem nenhuma forma ou descrição é suficiente. Pai imenso, pai-mãe imenso, Deus é amor. Chamando-o de pai ou mãe, o importante é nunca imagina-lo com rosto de gente. Ele é pessoa, mas não é pessoa humana. Seu colo, porém, que não é um colo humano, é infinito. Cabemos perfeitamente dentro dele: todos os indivíduos e povos que já passaram ou passarão por este mundo.
Pe. Zezinho scj
21 de abril de 2008
Orar e fazer política
Quando Jesus chamou Herodes de raposa, quando silenciou diante dele, quando enfrentou Pilatos e o seu poder de procurador, quando teve pena do povo com fome e fez alguma coisa por ele, quando enfrentou os vendilhões do templo, quando contou parábolas que questionavam os religiosos do seu tempo, quando defendeu os pobres, quando questionou duramente os ricos, estava fazendo política. Opinou sobre os governantes, respeitou ou enfrentou, mostrou o papel de um grupo religioso, pensou no momento e nas dores do povo e ensinou os seus seguidores a servirem os outros.
O mesmo Jesus que ensinou a orar, ensinou a servir e deixou claro que não veio para ser servido, mas para servir. Não quis dinheiro, nem fama, nem poder, mas quis ver a justiça acontecer, já no seu tempo. Uma leitura atenta dos evangelhos mostra Jesus não fechado nem sectário a querer melhorias para o seu povo. Não veio ao mundo apenas para orar e ensinar a orar. Não foi morto porque orava, mas porque enfrentou os donos do poder, porque exigiu justiça e propôs uma outra visão do ser humano e da religião do seu tempo. Nada mais errado do que ensinar que basta orar que Deus faz o resto. Não faz! Temos que fazer a nossa parte e a política pode se ruma forma de ajudar milhares ou milhões de irmãos. Depende da cabeça e da honestidade de quem a faz.
Jesus não foi um líder político, mas não foi também apenas um líder religioso. Foi irmão, foi Filho, foi libertador e amigo do povo. Mostrou Deus como Pai, mas mostrou o ser humano como irmão, com direitos, especialmente os mais indefesos a que ele chamava de pequeninos.
Soa, pois, estranho quando algum cristão afirme ser contra os religiosos se meterem com política. Não só podem, como devem. A historia do cristianismo e de todas as religiões do mundo está marcada pela política, bem ou mal exercida. E vai ser sempre assim. Os religiosos sempre se meterão na política, inclusive os que desligam a televisão na hora da propaganda, ou preferem ir fazer um sanduíche ou fritar pipoca durante a fala do presidente ou de um candidato. A decisão de não querer nada com política já é uma decisão política. Omitir-se e deixar que qualquer um se eleja e qualquer grupo assuma o poder é uma escolha política. Se não é possível viver sem tal escolha, então aprendamos a escolher e escolhamos direito!
Pe. Zezinho scj
O mesmo Jesus que ensinou a orar, ensinou a servir e deixou claro que não veio para ser servido, mas para servir. Não quis dinheiro, nem fama, nem poder, mas quis ver a justiça acontecer, já no seu tempo. Uma leitura atenta dos evangelhos mostra Jesus não fechado nem sectário a querer melhorias para o seu povo. Não veio ao mundo apenas para orar e ensinar a orar. Não foi morto porque orava, mas porque enfrentou os donos do poder, porque exigiu justiça e propôs uma outra visão do ser humano e da religião do seu tempo. Nada mais errado do que ensinar que basta orar que Deus faz o resto. Não faz! Temos que fazer a nossa parte e a política pode se ruma forma de ajudar milhares ou milhões de irmãos. Depende da cabeça e da honestidade de quem a faz.
Jesus não foi um líder político, mas não foi também apenas um líder religioso. Foi irmão, foi Filho, foi libertador e amigo do povo. Mostrou Deus como Pai, mas mostrou o ser humano como irmão, com direitos, especialmente os mais indefesos a que ele chamava de pequeninos.
Soa, pois, estranho quando algum cristão afirme ser contra os religiosos se meterem com política. Não só podem, como devem. A historia do cristianismo e de todas as religiões do mundo está marcada pela política, bem ou mal exercida. E vai ser sempre assim. Os religiosos sempre se meterão na política, inclusive os que desligam a televisão na hora da propaganda, ou preferem ir fazer um sanduíche ou fritar pipoca durante a fala do presidente ou de um candidato. A decisão de não querer nada com política já é uma decisão política. Omitir-se e deixar que qualquer um se eleja e qualquer grupo assuma o poder é uma escolha política. Se não é possível viver sem tal escolha, então aprendamos a escolher e escolhamos direito!
Pe. Zezinho scj
8 de abril de 2008
A Ceia do Senhor
Algumas igrejas praticam a Eucaristia todos os dias. Outras, em alguns momentos da jornada. Todas merecem respeito. Não é a quantidade de vezes, mas a intensidade com que a vivemos que torna aquela mesa um lugar de solidariedade e de libertação.
Ceia ou refeição é experiência fundamental em família. A família que tem o ritual de se alimentar junta, tem muito mais chance de se entrosar melhor. Quando a refeições são pouco partilhadas, e comidas às pressas ou por entre gritos, as ceias se tornam conflitantes. Quando os alimentos são tomados por entre beijos, abraços e risos, a digestão é melhor e vale a pena estar juntos.
A expressão comensal é usada para alguém aquele que senta à mesa junto conosco. Entre muitos povos isto era sagrado. Hospedar alguém e dar-lhe de comer era ponto de honra. Agradava a Deus. Jesus mesmo utiliza parábolas que falam de refeição e de comer à mesa. Um dos gestos supremos de Jesus – como prova da sua presença continuada neste mundo – foi a última ceia.
Ele disse “Desejei ardentemente comer esta ceia, partilhar desta refeição com vocês, e será a última que eu como até a grande ceia no Reino dos Céus”. Ali, partiu o pão e deu aos discípulos e distribuiu vinho e disse “Tomem e comam, Tomem e bebam, porque isto é meu corpo e isto é meu sangue”. É como se Ele dissesse “Todas às vezes que tiverem saudades de mim, façam isso: partilhem o pão e o vinho. E neste gesto de quem partilha, vocês descobrirão um novo maná. Eu estarei presente entre vocês”.
Jesus transformou o sinal da refeição fraterna, num gesto sobrenatural, que torna as pessoas uma só família, irmãos partilhando os seus alimentos, e compartilhando o pão. Ele estaria presente sob as espécies de pão e de vinho, e manifestaria sua graça a todo aquele que viesse aprender a partilhar e partir numa ceia.
Por isso, para nós, a ceia chamada de eucaristia no sacramento, é sinal de Deus. Nós cremos que não é só teatro. Deus que tudo pode, envia seu Filho outra vez e nós oferecemos a Deus o seu Filho. E tanto é verdade, que a missa é toda dirigida ao Pai, pelos cristãos que oferecem a Ele o seu Filho, e em nome do seu Filho falam ao Pai. O Pai em nome de seu Filho, concede.
É fundamental entender que a missa não é dirigida a Jesus: ela é dirigida ao Criador e oferece de novo ao Criador o Filho que um dia ele nos deu, porque nós cremos no que aconteceu na última ceia. A missa é um gesto belíssimo, e nós católicos derivamos as nossas forças desses encontros ao redor da mesa sagrada. Porque cremos no pão do céu, é ele que nos incentiva a distribuir o pão da Terra.
Quem vai à missa e, depois, não luta pela justiça no seu país, praticamente não foi à missa, ou não a entendeu. Não acaba tudo naquela hora. Tanto é verdade que a ultima saudação é Ide em Paz, e o Senhor vos acompanhe. Em latim se dizia: Ite Missa est. A cerimônia acabou, mas o envio do missionário começa agora!
Pe. Zezinho scj
Ceia ou refeição é experiência fundamental em família. A família que tem o ritual de se alimentar junta, tem muito mais chance de se entrosar melhor. Quando a refeições são pouco partilhadas, e comidas às pressas ou por entre gritos, as ceias se tornam conflitantes. Quando os alimentos são tomados por entre beijos, abraços e risos, a digestão é melhor e vale a pena estar juntos.
A expressão comensal é usada para alguém aquele que senta à mesa junto conosco. Entre muitos povos isto era sagrado. Hospedar alguém e dar-lhe de comer era ponto de honra. Agradava a Deus. Jesus mesmo utiliza parábolas que falam de refeição e de comer à mesa. Um dos gestos supremos de Jesus – como prova da sua presença continuada neste mundo – foi a última ceia.
Ele disse “Desejei ardentemente comer esta ceia, partilhar desta refeição com vocês, e será a última que eu como até a grande ceia no Reino dos Céus”. Ali, partiu o pão e deu aos discípulos e distribuiu vinho e disse “Tomem e comam, Tomem e bebam, porque isto é meu corpo e isto é meu sangue”. É como se Ele dissesse “Todas às vezes que tiverem saudades de mim, façam isso: partilhem o pão e o vinho. E neste gesto de quem partilha, vocês descobrirão um novo maná. Eu estarei presente entre vocês”.
Jesus transformou o sinal da refeição fraterna, num gesto sobrenatural, que torna as pessoas uma só família, irmãos partilhando os seus alimentos, e compartilhando o pão. Ele estaria presente sob as espécies de pão e de vinho, e manifestaria sua graça a todo aquele que viesse aprender a partilhar e partir numa ceia.
Por isso, para nós, a ceia chamada de eucaristia no sacramento, é sinal de Deus. Nós cremos que não é só teatro. Deus que tudo pode, envia seu Filho outra vez e nós oferecemos a Deus o seu Filho. E tanto é verdade, que a missa é toda dirigida ao Pai, pelos cristãos que oferecem a Ele o seu Filho, e em nome do seu Filho falam ao Pai. O Pai em nome de seu Filho, concede.
É fundamental entender que a missa não é dirigida a Jesus: ela é dirigida ao Criador e oferece de novo ao Criador o Filho que um dia ele nos deu, porque nós cremos no que aconteceu na última ceia. A missa é um gesto belíssimo, e nós católicos derivamos as nossas forças desses encontros ao redor da mesa sagrada. Porque cremos no pão do céu, é ele que nos incentiva a distribuir o pão da Terra.
Quem vai à missa e, depois, não luta pela justiça no seu país, praticamente não foi à missa, ou não a entendeu. Não acaba tudo naquela hora. Tanto é verdade que a ultima saudação é Ide em Paz, e o Senhor vos acompanhe. Em latim se dizia: Ite Missa est. A cerimônia acabou, mas o envio do missionário começa agora!
Pe. Zezinho scj
25 de março de 2008
Páscoa, a grande passagem
Jesus não passou, exatamente porque soube passar! A frase pode soar confusa, mas foi a passagem dele da morte para a vida que fez com que Jesus não passe nunca, nem ele nem as suas palavras.
A vida é páscoa-passagem do bem para o mal e do mal para o bem, de um lado para outro, de igreja para igreja, de estado para estado e de vida para vida. Poucas pessoas ficam na mesma siituação. Mudam para a verdade ou para o erro, para pior ou para melhor. Para o ser humano as coisas mudam desde quando nasce até o seu ultimo dia. Algumas mudanças ele mesmo escolhe. Outras ele tem que assimilar porque independem de sua escolha.
Os judeus celebravam a passagem do mar vermelho, como quem venceu o período da escravidão e superou a dominação; era a passagem da vida na opressão, para a vida em liberdade. Não se trata, portanto, só de atravessar o mar ou atravessar o rio, ou de fazer uma mudança física. Trata-se de uma mudança profunda que faz toda a diferença: de escravos para homens livres, construindo sua própria pátria e sem ninguém exceto Deus a mandar neles . Para nós a Páscoa é a de um homem torturado, morto e sepultado, para um homem ressuscitado, provando que ele era quem disse ser: Filho de Deus. Ele predisse e cumpriu.
Para nós a festa da páscoa é vitória sobre a morte, sobre o pecado, sobre a escravidão. É festa de libertação de todos, festa de quem celebra o Senhor Jesus, como certeza de que a humanidade sobreviverá ao terrorismo que sob todas as formas a ameaça. Haverá um céu, um novo céu, e haverá uma Terra renovada e em paz. Crer na ressurreição de Jesus Cristo e, portanto, na páscoa – a passagem – é crer que o homem tem conserto. Não está tudo perdido, Jesus ressuscitou.
Páscoa da ressurreição são dois substantivos que a Igreja costuma colocar juntos, porque sabe que existem outras páscoas; a da infância para a adolescência; da adolescência para a juventude, da vida de solteiro para a união do matrimônio, da tristeza para a alegria. Todas as passagens de um estado de vida para outro, de uma situação de vida para outra, do pecado para a conversão, são páscoas. Quando a Igreja acrescenta o substantivo páscoa da ressurreição, está falando da passagem de Cristo da morte para a vida. É a passagem das passagens.
A Páscoa lembra que um dia será a nossa vez, de morrer e ressuscitar. São Paulo magistralmente analisa este acontecimento dizendo que, um dia, nós também ressuscitaremos com Cristo. É tudo meio obscuro, mas um dia vai ficar claro, só que teremos que fazer essa passagem e Paulo diz, com outras palavras. Não quero que vocês fiquem tristes, se lamentando pela morte. Porque nós somos chamados a uma vida eterna. Para ele a morte é apenas uma passagem, um túnel escuro, mas que pode ser iluminado pelas luzes da fé que certamente, vai nos conduzir para o outro lado dessa mesma estrada que é a vida. É profundo o pensamento de que, da ressurreição de Jesus nós derivamos a nossa ressurreição e da passagem de Jesus derivamos a nossa passagem. Um cristão não deve ter medo da morte. São Francisco a chamava de “irmã morte”. Também não se deve procurá-la. Quando ela vier será um momento de libertação. Seguro de que ele não vai cair num nirvana ou no aniquilamento, o cristão sabe que vai encontrar o seu Salvador Jesus Cristo e viverá nele e no Pai para sempre.
Deus nos cria uma vez e para todo o sempre. Não voltaremos ao nada, até porque não viemos do nada; viemos de Deus.
A vida é páscoa-passagem do bem para o mal e do mal para o bem, de um lado para outro, de igreja para igreja, de estado para estado e de vida para vida. Poucas pessoas ficam na mesma siituação. Mudam para a verdade ou para o erro, para pior ou para melhor. Para o ser humano as coisas mudam desde quando nasce até o seu ultimo dia. Algumas mudanças ele mesmo escolhe. Outras ele tem que assimilar porque independem de sua escolha.
Os judeus celebravam a passagem do mar vermelho, como quem venceu o período da escravidão e superou a dominação; era a passagem da vida na opressão, para a vida em liberdade. Não se trata, portanto, só de atravessar o mar ou atravessar o rio, ou de fazer uma mudança física. Trata-se de uma mudança profunda que faz toda a diferença: de escravos para homens livres, construindo sua própria pátria e sem ninguém exceto Deus a mandar neles . Para nós a Páscoa é a de um homem torturado, morto e sepultado, para um homem ressuscitado, provando que ele era quem disse ser: Filho de Deus. Ele predisse e cumpriu.
Para nós a festa da páscoa é vitória sobre a morte, sobre o pecado, sobre a escravidão. É festa de libertação de todos, festa de quem celebra o Senhor Jesus, como certeza de que a humanidade sobreviverá ao terrorismo que sob todas as formas a ameaça. Haverá um céu, um novo céu, e haverá uma Terra renovada e em paz. Crer na ressurreição de Jesus Cristo e, portanto, na páscoa – a passagem – é crer que o homem tem conserto. Não está tudo perdido, Jesus ressuscitou.
Páscoa da ressurreição são dois substantivos que a Igreja costuma colocar juntos, porque sabe que existem outras páscoas; a da infância para a adolescência; da adolescência para a juventude, da vida de solteiro para a união do matrimônio, da tristeza para a alegria. Todas as passagens de um estado de vida para outro, de uma situação de vida para outra, do pecado para a conversão, são páscoas. Quando a Igreja acrescenta o substantivo páscoa da ressurreição, está falando da passagem de Cristo da morte para a vida. É a passagem das passagens.
A Páscoa lembra que um dia será a nossa vez, de morrer e ressuscitar. São Paulo magistralmente analisa este acontecimento dizendo que, um dia, nós também ressuscitaremos com Cristo. É tudo meio obscuro, mas um dia vai ficar claro, só que teremos que fazer essa passagem e Paulo diz, com outras palavras. Não quero que vocês fiquem tristes, se lamentando pela morte. Porque nós somos chamados a uma vida eterna. Para ele a morte é apenas uma passagem, um túnel escuro, mas que pode ser iluminado pelas luzes da fé que certamente, vai nos conduzir para o outro lado dessa mesma estrada que é a vida. É profundo o pensamento de que, da ressurreição de Jesus nós derivamos a nossa ressurreição e da passagem de Jesus derivamos a nossa passagem. Um cristão não deve ter medo da morte. São Francisco a chamava de “irmã morte”. Também não se deve procurá-la. Quando ela vier será um momento de libertação. Seguro de que ele não vai cair num nirvana ou no aniquilamento, o cristão sabe que vai encontrar o seu Salvador Jesus Cristo e viverá nele e no Pai para sempre.
Deus nos cria uma vez e para todo o sempre. Não voltaremos ao nada, até porque não viemos do nada; viemos de Deus.
Cruzes que passam
Os católicos são formados na mística da cruz. Deveriam sê-lo. Se não entendem, alguém falhou na sua catequese. Não vemos em Jesus alguém que nos dá apartamentos, casas, emprego ou carro. Ele nos dá dignidade para administrar a nossa vida, sejamos ricos ou pobres. Jesus nunca prometeu livrar alguém da dor e da cruz. Ele mesmo pediu e o cálice não lhe foi tirado. Mas disse que devemos tomar nossa cruz e fazer como ele. Nossa religião não promete bens materiais e sucesso financeiro. Nem pode! Jesus disse que não veio para isso.
Algumas dores momentâneas nos libertam de dores futuras. Muita gente reclama da dor que está sentindo. Mas vai sofrer muito mais, se não passar pela dor que liberta. É o caso da extração de um dente, da extração de um tumor, ou da amputação de um pé. Aquela dor momentânea vai libertar a pessoa de dor permanente ou de dores piores no futuro. Existe, portanto, uma dor que liberta. Este conceito teológico da dor que liberta, entra na mística da cruz, que é também uma dor que liberta.
O ser humano não nasceu para viver crucificado. Em nenhum momento da sua vida ele é chamado ao martírio sem sentido. Toda a dor sofrida tem um sentido. É só questão de saber o sentido daquela falta de um braço, daquele pé mais curto ou daquele defeito naquela parte do corpo. Uma vez que aprendemos a viver com ele descobrimos que nem por isso, somos menos gente. Uma flor cuja haste se quebrou, continua flor. Uma águia cuja asa se quebrou, continua águia, mesmo se não consegue mais voar como as outras águias, mas não vira um réptil. Um passarinho que não canta mais continua passarinho, não vira cachorro. Na sua essência, mesmo não cantando, não voando, a ave continua ela mesma. A flor, mesmo machucada, continua perfumada e tem a sua beleza.
Quando damos importância excessiva à estética, esquecemos a ética. E é a ética que nos faz ser bonitos, porque a estética sem ética perde o seu sentido. Nenhuma beleza é digna de contemplação se não estiver acompanhada da estética junto à ética. É o porquê da beleza que torna a beleza importante, e não ela em si mesma. É o porquê da dor que torna a dor compreensiva e compreensível, e não a dor em si mesma. Para Paulo e para nós, a cruz só é loucura se alguém não crê. Para quem crê, ela pode ser libertação.
Foi Jesus quem disse que, quando fosse elevado da Terra, atrairia todos a Ele. E disse mais: “Quem não tomar a sua cruz e não me acompanhar, não vai ser digno de mim”. Tomemos cuidado com pregadores que garantem sucesso financeiro e o fim de todas as dores e sofrimentos. Cuidado com quem garante que naquela Igreja não se sofre mais. Se isso fosse verdade, nenhum dos discípulos teria morrido mártir. Teriam todos morrido em palácios e chalés na montanha e enriquecido com seus barcos e sua pesca. Afinal, ninguém foi tão fiel como eles. Como Jesus não prometeu riquezas nem sucesso financeiro, eles sabiam o que os esperava! Nunca ensinaram que ser de Jesus traz garantias de sucesso e solução de todos os problemas. É só ler a Bíblia com mais cuidado! Pregador que promete riqueza e bens materiais está blefando. Jesus nunca prometeu isso. O cêntuplo e a vida eterna não significam o dobro ou 100% mais bens materiais. Jesus nunca pregou prosperidade! Pelo contrário enalteceu o despojamento. Ele nunca disse que ajuntar bens e ter riquezas é uma bem aventurança. Disse o oposto!
Algumas dores momentâneas nos libertam de dores futuras. Muita gente reclama da dor que está sentindo. Mas vai sofrer muito mais, se não passar pela dor que liberta. É o caso da extração de um dente, da extração de um tumor, ou da amputação de um pé. Aquela dor momentânea vai libertar a pessoa de dor permanente ou de dores piores no futuro. Existe, portanto, uma dor que liberta. Este conceito teológico da dor que liberta, entra na mística da cruz, que é também uma dor que liberta.
O ser humano não nasceu para viver crucificado. Em nenhum momento da sua vida ele é chamado ao martírio sem sentido. Toda a dor sofrida tem um sentido. É só questão de saber o sentido daquela falta de um braço, daquele pé mais curto ou daquele defeito naquela parte do corpo. Uma vez que aprendemos a viver com ele descobrimos que nem por isso, somos menos gente. Uma flor cuja haste se quebrou, continua flor. Uma águia cuja asa se quebrou, continua águia, mesmo se não consegue mais voar como as outras águias, mas não vira um réptil. Um passarinho que não canta mais continua passarinho, não vira cachorro. Na sua essência, mesmo não cantando, não voando, a ave continua ela mesma. A flor, mesmo machucada, continua perfumada e tem a sua beleza.
Quando damos importância excessiva à estética, esquecemos a ética. E é a ética que nos faz ser bonitos, porque a estética sem ética perde o seu sentido. Nenhuma beleza é digna de contemplação se não estiver acompanhada da estética junto à ética. É o porquê da beleza que torna a beleza importante, e não ela em si mesma. É o porquê da dor que torna a dor compreensiva e compreensível, e não a dor em si mesma. Para Paulo e para nós, a cruz só é loucura se alguém não crê. Para quem crê, ela pode ser libertação.
Foi Jesus quem disse que, quando fosse elevado da Terra, atrairia todos a Ele. E disse mais: “Quem não tomar a sua cruz e não me acompanhar, não vai ser digno de mim”. Tomemos cuidado com pregadores que garantem sucesso financeiro e o fim de todas as dores e sofrimentos. Cuidado com quem garante que naquela Igreja não se sofre mais. Se isso fosse verdade, nenhum dos discípulos teria morrido mártir. Teriam todos morrido em palácios e chalés na montanha e enriquecido com seus barcos e sua pesca. Afinal, ninguém foi tão fiel como eles. Como Jesus não prometeu riquezas nem sucesso financeiro, eles sabiam o que os esperava! Nunca ensinaram que ser de Jesus traz garantias de sucesso e solução de todos os problemas. É só ler a Bíblia com mais cuidado! Pregador que promete riqueza e bens materiais está blefando. Jesus nunca prometeu isso. O cêntuplo e a vida eterna não significam o dobro ou 100% mais bens materiais. Jesus nunca pregou prosperidade! Pelo contrário enalteceu o despojamento. Ele nunca disse que ajuntar bens e ter riquezas é uma bem aventurança. Disse o oposto!
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